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Uma animação para trabalhar a noção de tempo

25 de fevereiro de 2015

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O curta metragem alemão A Roda (Das Rad) é uma opção interessante para trabalhar a noção de tempo com os alunos mais novos. A passagem do tempo é mostrada a partir de um mesmo ponto de vista por personagens incomuns: dois montes de rochas animados. É a natureza observando as mudanças que ocorrem à sua volta: crescem plantas e caem árvores. As nuvens ao fundo dão a impressão da passagem do tempo, um tempo geológico.

As rochas, porém, não estão sozinhas: há homens e sua ação provoca mudanças no espaço, mudanças que ocorrem em diferentes durações, ora lentas ora rápidas – é o tempo histórico. O tempo se acelera a partir da invenção da roda.

O vídeo deixa, ao final, uma mensagem perturbadora: a humanidade com toda sua genialidade e criações não é eterna. Ela pode desaparecer, enquanto a natureza se renova e se multiplica. Este desfecho exige um debate em sala de aula para não passar a ideia de que a natureza é indestrutível ou inacabável. O professor pode, por exemplo, explorar a ideia de temporalidade das sociedades humanas: culturas se formam, desenvolvem, desaparecem, modificam-se ou se fundem a outras.

Das Rad, de apenas 8 minutos, foi escrito e dirigido por Chris Stenner, Arvid Uibel e Wittlinger Heidi. Concorreu ao Oscar de 2003, na categoria Curta de Animação. Recebeu vários prêmios em outros festivais.

Assista ao curta

Sinopse do curta “A roda”

Em uma paisagem rochosa e sob uma árvore seca, dois montes de pedras – Kew e Maurin – conversam. Um deles está incomodado com o musgo que teima crescer em suas costas e ombros.

Abaixo deles, na paisagem ao fundo, acontecem mudanças: árvores são derrubadas e casas construídas (“pilhas de madeira”). Um dos personagens pergunta: “O que eles estão fazendo ali embaixo, de novo?” – indicando que se tratam de seres humanos que, novamente, estão interferindo no meio natural.

Na sequencia seguinte, Kew, o monte de pedras menor, brinca com uma roda de pedra. Um homem se aproxima e fica intrigado com o formato da pedra. Toca nela mas não a leva consigo. Kew e Maurin ficam estáticos. Enquanto isso, a paisagem ao fundo continua mudando por ação humana.

A paisagem próxima a eles também muda: surge uma estrada de terra. Eis que chega um homem puxando uma carroça que, ao passar por uma pedra, quebra a roda de madeira. Kew e Maurin ficam estáticos observando o homem que substitui a roda quebrada por outra.

O homem vai embora e começam acontecer mudanças rápidas. A estrada de terra vira rodovia asfaltada e sinalizada. Em um painel, passam rápidos anúncios mostrando novidades tecnológicas. Surgem edifícios cada vez mais altos e uma gigantesca ponte de concreto.

Kew e Maurin continuam observando tudo. O progresso urbano chegou muito próximo.  Mas ambos continuam iguais, nada mudou para eles.

No painel, aparece um cartaz onde está escrito Built to last (“Construído para durar”). Kew e Maurin olham intrigados para o cartaz, mas ele apodrece e cai. Uma nuvem escura passa pelos edifícios e eles caem, nada restando no local

O musgo continua crescendo e cobrindo toda paisagem. Kew e Maurin continuam no mesmo local, sem nenhuma mudança, apenas o musgo que continua a crescer e a incomodá-los.

 Trabalhando em sala de aula

O vídeo desperta os alunos a refletirem sobre a noção de tempo: de que tempo estamos falando? Da formação da terra e da natureza ou da ação humana no meio natural? Esses tempos têm a mesma duração?

Traz, também, a reflexão sobre permanências e mudanças, no tempo geológico e no tempo histórico.

Algumas questões podem estimular o debate em sala de aula:

  1. A quem a rocha se referia quando perguntou: “O que eles estão fazendo ali embaixo, de novo?”
  2. O que significaria o musgo que vive crescendo na pedra?
  3. Quantas ou quais mudanças ocorreram próximo às rochas?
  4. Enquanto essas mudanças aconteciam, as rochas também mudaram?
  5. O vídeo se chama “A roda”. Que mudanças aconteceram depois que ela apareceu?
  6. Quem inventou a roda: a natureza ou os homens? (A pergunta é provocativa. Espera-se que os alunos percebam que essa invenção foi possível a partir da observação de formas circulares  na natureza).
  7. Quanto tempo você acha que se passou entre a construção das primeiras casas e os prédios? (Os alunos mais novos costumam responder com expressões: “muito”, “bastante”, “muito, muito”. Mesmo sem usar uma medida de tempo, é importante estabelecer uma escala de tempo que permita aos alunos perceberem diferentes durações e que as mudanças foram mais rápidas depois da invenção da roda.)
  8. Que mensagem final do filme nos transmite?
  9. Na sua cidade já aconteceu de um local ou construção desaparecer ou ser destruído? O que aconteceu depois disso?
  10. Na sua opinião, como deve ser o convívio entre o homem e a natureza?
  11. Além da roda, que outras invenções você considera importante para a história da humanidade?

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Gabriela Amorim
Gabriela Amorim
5 anos atrás

Muito interessante! Possível usar o curta para pensar uma série de questões, como tempo histórico X geológico; domínio da natureza pelo homem e evolução tecnológica; desastres ambientais, e a finitude da espécie. Obrigada pela dica!

Rafael Bragança
Rafael Bragança
5 anos atrás

Adorei! Será que o fato de ser legendado exclui a possibilidade de se trabalhar o vídeo no sexto ano?

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[…] A roda (Das Rad)  Uma animação alemã de 8 minutos, premiada em festivais de curta-metragem, que permite trabalhar a noção de tempo histórico e tempo geológico. O artigo traz o link do filme e sugestões de perguntas para o debate em sala de aula. […]

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