Rio de Contas, centro de mineração de ouro da Chapada Diamantina

25 de junho de 2017

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Situada ao sul da Chapada Diamantina, Rio de Contas é uma das raras “cidades novas” coloniais, criada por Portugal, por meio de Provisão Real de 1745, que recomendava a escolha do sítio próximo a algum arraial estabelecido, em um local saudável, com traçado regular e arquitetura capaz de garantir seu embelezamento. Foi, assim, a primeira cidade planejada do Brasil.

Na região já havia um pequeno povoado formado por escravos foragidos e alforriados conhecido como “Pouso dos Crioulos”, atual cidade de Brumado, que, em pouco tempo tornou-se ponto de pouso de viajantes vindos de Minas Gerais e Goiás que seguiam em direção a Salvador. O ouro, descoberto pelo bandeirante paulista Sebastião Pinheiro Raposo por volta de 1710, logo atraiu garimpeiros e comerciantes, e deu origem a outras povoações.

A necessidade de melhor controlar as lavras de ouro aluvional e de garantir o pagamento do quinto levaram Portugal a criar, por meio da Provisão Real de 1745, a Vila Nova de Nossa Senhora do Livramento e Minas do Rio de Contas. A cidade surgiu como um centro de mineração de ouro e logo se transformou em verdadeira capital regional possuindo, inclusive, Casa de Fundição para recolher o quinto.

A vila viveu, na segunda metade do século XVIII, uma época de grande prosperidade econômica. As famílias mais abastadas importavam da Europa peças de uso pessoal e de decoração e ostentavam sua riqueza lançando pó de ouro nos Imperadores e Rainhas durante as procissões da festa do Divino Espírito Santo. São dessa época, segunda metade do século XVIII, os casarões em estilo colonial, hoje tombados pelo Iphan.

O esgotamento do ouro, por volta de 1800, trouxe estagnação, agravada, a partir de 1844, com a descoberta de diamantes em Mucugê. Grande parte da população de Rio de Contas transferiu-se para aquela cidade em busca de novas riquezas.

Mesmo com a queda da produção de ouro, Rio de Contas continuou sendo uma escala obrigatória no Caminho Real. Durante o século XIX, todo o tráfego para o sudoeste da Bacia do Rio São Francisco era feito por esse caminho. Além disso, a Casa de Fundição trouxe para a cidade a técnica da joalheira o que gerou uma metalúrgica artesanal que se transformou na base da economia local. Desenvolveu-se, também a agricultura baseada no café, cana-de-açúcar, cereais e tubérculos.

Em 1885, a vila foi elevada à condição de cidade com a denominação de Minas do Rio de Contas. Em 1931, o município passou a se chamar Rio de Contas. No século XX, novas corridas de ouro ocorreram em 1932 e 1939.

Rio de Contas preserva o traçado antigo, apresentando praças e ruas amplas, igrejas barrocas, monumentos públicos e religiosos em pedra e o casario em adobe. O conjunto arquitetônico de Rio de Contas, constituído, basicamente, por edifícios da segunda metade do século XVIII e início do XIX, foi tombado pelo Iphan, em 1980. A cidade é, atualmente, polo ecoturístico da Bahia. Em 2001, Rio de Contas junto com a cidade de Caiteté foi cenário do filme “Abril Despedaçado”, do diretor Walter Salles.

Além das centenas de edificações históricas da área urbana, nos arredores de Rio de Contas encontram-se vestígios de represas, aquedutos, túneis e galerias, que testemunharam a grande atividade de mineração naquele sítio.

Casa de Câmara e Cadeia de Rio de Contas.

Casa de Câmara e Cadeia de Rio de Contas, atualmente, sede do Fórum Barão de Macaúbas.

Casa de Fundição, Rio de Contas

Antiga Casa de Fundição, atualmente sede da Prefeitura Municipal de Rio de Contas

Atrativos históricos de Rio de Contas

  • Igreja Matriz do Santíssimo Sacramento – Construída na segunda metade do século XVIII para ser a Igreja Matriz da Vila Nova de Nossa Senhora do Livramento e Minas do Rio de Contas, e considerada o mais relevante exemplar da arquitetura religiosa do sertão baiano, com uma forte influência barroca. O forro da capela-mor apresenta pintura ilusionista, de inspiração italiana. Durante o trabalho de restaurado feito pelo Iphan descoberto um inusitado nicho barroco, em chinoiserie, um estilo popular nos séculos XVI e XVII, com forte influência oriental de Goa (Índia) ou Macau (China), colônias portuguesas.
  • Teatro São Carlos – Um dos três mais antigos do Brasil e o mais antigo do interior baiano. Inaugurado em 1892, foi palco de inúmeras apresentações de grupos locais e de produções vindas de outras partes do Brasil. Funciona, atualmente, como um espaço onde ocorrem ações e atividades educacionais e culturais.
  • Casa à Rua Barão de Macaúbas, especialmente nas de números 11 e 19, possivelmente de meados do século XIX. Uma parte da casa era destinada à loja, com entrada independente e salas para depósito; outra parte destinava-se à residência, tendo na frente os salões de uso social e família e, nos fundos, os quartos ao longo de um corredor central. Destacam-se os baixos relevos em estuque e em forma de folhas, que conferem ao edifício certa singularidade.
  • Casa de Câmara e Cadeia, conhecida como a mais temida prisão do sertão baiano, é, atualmente, sede do Fórum Barão de Macaúbas. Construção de meados do século XVIII ou início do século XIX, tinha, no térreo, a Cadeia, Casa do Carcereiro e a Audiência. Apresenta como particularidade o sino-do-povo, instalado na ombreira de uma das janelas do segundo pavimento.
  • Casa natal do Barão de Macaúbas, casa natal de Abílio César Borges, o Barão de Macaúbas (1824-1891), grande educador brasileiro. Construída provavelmente nos primeiros anos do século XX, é um exemplar típico das residências diamantíferas, sendo de uso misto (residencial e comercial). Atualmente é ocupada pelo Escritório Técnico do IPHAN e pelo Arquivo Municipal de Rio de Contas.
  • Igreja de Santana (ruínas), construída por escravos na primeira metade do século XVIII, em alvenaria de pedra, nunca chegou a ser concluída. Suas obras foram paralisadas, em torno de 1850, devido ao êxodo da população local para outra região mineira.
  • Casa de Fundição, onde o ouro era derretido e transformado em barras. Atualmente é sede da Prefeitura Municipal de Rio de Contas.
  • Orquestra Filarmônica Lira dos Artistas, casa que pertenceu ao Coronel Carlos Souto, exemplo máximo da arquitetura da época do ouro.
Igreja Matriz do Santíssimo Sacramento, de Rio de Contas.

Igreja Matriz do Santíssimo Sacramento, de Rio de Contas, considerada importante exemplo de barroco do sertão baiano.

Teatro São Carlos, de Rio de Contas

Teatro São Carlos, de Rio de Contas, inaugurado em 1892, é um dos mais antigos do Brasil e o mais antigo do interior baiano. Inaugurado em 1892

Fonte

Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional).

Rio de Contas. Documentação eletrônica do sítio histórico.

Conheça outras cidades históricas da Chapada Diamantina clicando nos títulos abaixo

Mugucê, a primeira lavra de diamantes

Lençóis, a capital das lavras

Igatu, a “Machu Picchu” baiana

A Chapada Diamantina e suas surpreendentes cidades históricas

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