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Racismo: uma história (documentário em 3 episódios da BBC)

1 de setembro de 2015

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Em comemoração aos duzentos anos da Lei do Comércio de Escravos, de 1807, que aboliu o tráfico de escravos no Império Britânico, a BBC produziu em março de 2007, a série de documentários denominada“Racismo: uma história”. A série consiste em uma cronologia de eventos a partir da invenção do conceito de raça no século XVII e explora o impacto do racismo em escala global. Examina as mudanças na percepção de raça e na história do racismo na Europa, nas Américas, na Austrália e na Ásia, terminando na luta contínua pela igualdade de direitos que ainda continua.

O enredo narrado por Sophie Okonedo, atriz inglesa de ascendência nigeriana e judaica. É ilustrado por fotografias, representações dramáticas e filmagens locais e intercalado com entrevistas de pesquisadores e testemunhas.

São três episódios, independentes entre si, cada um com cerca de 60 minutos de duração: “A cor do Dinheiro”, “Impacto Fatal” e “Um legado selvagem”.

Episódio “A cor do Dinheiro”

O primeiro episódio, chamado A cor do Dinheiro, avalia as implicações da relação entre a Europa, a África e as Américas desde os primeiros tempos da conquista e colonização chegando até a revolução e independência do Haiti e a Guerra Civil Americana. Examina a questão dos indígenas americanos cuja escravização ao ser proibida incrementou a escravização dos africanos. Considera como as ideias e as práticas racistas se desenvolveram nas principais instituições religiosas e seculares, e como elas foram tratadas pelos filósofos Aristóteles e Kant.

Episódio “Impacto Fatal”

O segundo episódio, Impacto Fatal, examina a ideia do racismo científico, uma ideologia inventada no século XIX que se baseou em práticas desacreditadas como a frenologia (que acredita que a forma da cabeça determina o caráter e a personalidade humana) e forneceu uma justificativa ideológica para o racismo e a escravidão. O episódio mostra como essas teorias acabaram levando à eugenia e às políticas raciais nazistas da raça dominante.

Desde as primeiras décadas do século XIX, ocorreram massacres contra populações nativas consideradas “inferiores”. Entre 1820 e 1832, a chamada “Guerra Negra” movida pelo racismo dos britânicos contra os aborígenes da Tasmânia, levou ao extermínio dos aborígenes. Na mesma época, fatos semelhantes ocorriam contra o povo Koi-San que eram caçados como animais na África do Sul, contra os Beothuk da Terra Nova (Canadá) e os índios pampas da Argentina.

Escritores como o historiador escocês Thomas Carlyle (1795-1881) reforçavam que a desigualdade era necessária e natural: “os homens devem governar as mulheres, as brancas devem governar as pessoas negras, e as educadas, os ignorantes”.

Teorias racistas

Em 1840, a obra do anatomista escocês Robert Knox, “Races of men” forneceu fundamentos para o racismo científico e justificou o extermínio:

“A raça é tudo:  literatura, ciência, arte, em uma palavra, a civilização, depende dela. As raças negras podem ser civilizadas? Eu devo dizer que não. (…) A raça saxônica jamais as tolerará, jamais se miscigenarão, jamais viverão em paz. É uma guerra de extermínio”. (Roberto Knox, 1840)

Medição do crânio, desenho de Samuel G. Morton, 1839.

Medição do crânio, desenho de Samuel G. Morton, 1839.

Por essa época, nos Estados Unidos, o anatomista Samuel George Morton, estudando os crânios de diferentes etnias concluía que a capacidade craniana determinava a capacidade intelectual e que os caucasianos por terem os maiores cérebros eram, portanto, mais inteligentes. Abaixo deles vinham os índios e, por último, os negros.

Morton usou essas “evidências” para defender a ideia de que o ser humano não tinha tido uma origem comum. Afirmava com racismo que cada raça fora criada separadamente e a cada uma foi dada características específicas e irrevogáveis. Assim, para ele, tasmanianos, africanos e índios americanos talvez nem chegassem a ser totalmente humanos.

Darwinismo social e eugenia

A obra de Charles Darwin, “A origem das espécies”, de 1859, com sua teoria da evolução natural, acabou servindo de álibi para justificar a expansão global da raça britânica. As ideias de Darwin foram usadas para explicar as sociedades humanas dando origem ao darwinismo social baseado na tese de que somente os mais aptos, os “superiores” vencem. Os “perdedores” estavam fadados a desaparecer. Muitas dessas raças ‘inferiores” seriam apenas lembradas como curiosidades, peças empalhadas em museus de Antropologia.

Árvore da Eugenia, metáfora do símbolo da evolução humana

Árvore da Eugenia, metáfora do símbolo da evolução humana

O cientista inglês Francis Galton, baseando-se na obra de seu primo Charles Darwin, propôs a seleção artificial para o aprimoramento da população humana através de casamentos seletivos entre brancos, unicamente. Nascia a eugenia, termo criado por Galton, em 1883, significando “bem nascido”.  Suas ideias tiveram enorme repercussão e foram elogiadas no meio científico.

A eugenia parecia ser a solução para reverter o desequilíbrio social que, na época, ocorria, na Inglaterra. O forte crescimento demográfico das classes pobres frente à diminuição das classes mais ricas e cultas gerou o temor de uma “degeneração biológica”. Entre 1880 e 1930, a eugenia logo se transformou num movimento que angariou inúmeros adeptos entre a maioria dos cientistas e principalmente entre a população branca. Serviu de justificativa para o racismo e a repressão policial contra operários e os mais pobres. Falava-se em “raças criminosas”.

Pregações dos missionários cristãos de que “somos todos irmãos” foram vistas como ideias ultrapassadas. O poema “O fardo do homem branco”, de Rudyard Kipling, passou a ser considerado um romantismo obsoleto.

A Grande Fome na Índia Britânica

As teorias raciais foram aplicadas não somente nas novas colônias, mas também nas partes antigas do Império Britânico. Enquanto o vice-rei da Índia, Lord Lytton, providenciava a grande festa de coroação da rainha Vitória como Imperatriz da Índia, milhões de pessoas começaram a passar fome – fato que não abalou as autoridades britânicas, pois entenderam que era parte da “seleção natural”.  O vice-rei justificou suas inações com os argumentos dos darwinistas sociais e introduziu um sistema de campos com trabalho pesado, que efetivamente se tornaram campos da morte.

A Grande Fome da Índia deve como causa inicial o fenômeno climático hoje conhecido como El Niño que, por dois anos (1876 e 1878) afetou a Índia. As chuvas não vieram e a seca destruiu os cultivos.  A população rural consumiu todas suas reservas alimentares e a fome se alastrou pelo país. Cerca de 8 milhões de camponeses indianos morreram de fome.

Fome na Índia, 1876-1878.

Fome na Índia, 1876-1878.

O que agravou a tragédia foi o fato dos britânicos terem desmantelado a agricultura tradicional que, durante séculos, evitava que a escassez se transformasse em fome. Os britânicos forçaram os agricultores indianos a plantarem trigo e algodão em larga escala para exportação acabando com a agricultura familiar de subsistência.

Para o vice-rei da Índia, Lord Robert Bulwer Lytton, a morte de milhões de agricultores pobres nada mais era do que parte da “seleção natural” em que sucumbiam os mais fracos. Ignorando a tragédia e sucumbindo ao racismo, Lytton concentrou-se nos  preparativos da grandiosa festa de coroação da rainha Vitória como imperatriz da Índia, ocorrida em 1877.

Namíbia: genocídio dos hereros e namaquas

Darwinismo social, eugenia e racismo científico serviram de justificativa para o que ocorreu na Namíbia, colônia alemã na África. Em 1904, o povo nativo se rebelou contra a brutalidade das autoridades alemãs. Em resposta, os alemães aprisionaram e escravizaram os hereros e namaquas em campos de concentração.

Somente na ilha de Shark, cerca de 3.500 indivíduos foram exterminados. Entre 1904 e 1907, o massacre extinguiu 80% da população nativa além da prática de tortura e do abuso sexual às mulheres sobreviventes.

Execução dos fetero

Execução dos herero, Namíbia, 1907.

Cabeça de hetero

Cabeça de herero proveniente da ilha de Shark usada para estudo.

O genocídio dos hereros e namaquas foi o primeiro do século XX e é precursor do extermínio que ocorreu no período nazista.

Nessa época, o cientista alemão Eugen Fischer, defensor da eugenia, pesquisava a população de Rehoboth, pequena aldeia situada ao norte da Namíbia. Interessava-lhe encontrar provas de “degeneração racial” entre os 3.000 nativos miscigenados, isto é, nascidos de uniões mistas de alemães com africanos. Sua proposta para deter o avanço da “degeneração” era a esterilização dessa população.

O eugenismo nos Estados Unidos

O movimento eugenista ganhou força em 1912 com a realização do Primeiro Congresso Internacional de Eugenia, em Londres. As ideias eugenistas ganharam adeptos em vários países da Europa, Ásia, América Latina e, principalmente nos Estados Unidos e na Alemanha.

Em 1910, Charles Davenport, professor de Zoologia da Universidade de Chicago, obteve financiamento de grandes empresas americanas para fundar o Escritório  de Registros de Eugenia (Eugenics Record Office,  ERO) que teria a função de organizar a coleta de dados familiares.

07_Encontro de pesquisadores

O movimento eugenista nos Estados Unidos crescia no mesmo período em que começavam a chegar levas de imigrantes do sul e do leste da Europa. Para os eugenistas, tornou-se importante proteger “seus estoques genéticos populacionais dos degenerados e socialmente indesejados”, isto é, deficientes mentais, criminosos, delinquentes, deficientes físicos, infectados com doenças contagiosas etc.

Em 1930, leis de esterilização haviam sido aprovadas em 23 estados norte-americanos. Em 1938, mais de 30 mil pessoas haviam sido esterilizadas involuntariamente. Casamentos inter-raciais foram proibidos em 27 estados.

Alemanha nazista

Fundações americanas, como a Fundação Rockfeller, financiaram o desenvolvimento da eugenia alemã. Sob as ordens do governo nazista, Eugen Fischer, o mesmo que trabalhara na Namíbia, foi autorizado a esterilizar afro-alemães.

Eugen Fischer em seu escritório em Berlim, 1938.

Eugen Fischer em seu escritório em Berlim, 1938.

Tratava-se de uma minoria, entre 500 e 800 indivíduos, descendentes de alemães colonizadores e missionários que residiram nas colônias alemães da África e tiveram filhos com mulheres nativas.  Após a Primeira Guerra Mundial, com a perda do império colonial alemão, alguns desses colonos voltaram à Alemanha com suas respectivas famílias. Essa população foi esterilizada incluindo 400 crianças e doentes mentais.

Quando a Segunda Guerra Mundial começou, em 1939, o governo nazista abandonou o programa de esterilização pelo extermínio daqueles considerados “indesejados” para a “pureza racial ariana”. O racismo nazista pode ser visto, dessa forma, como parte de um processo histórico mais longo que se desdobrava havia um século.

Episódio “Um legado selvagem”

O terceiro e último episódio, Um legado selvagem, investiga o impacto no século XX. Em 1900, a expansão colonial europeia chegara ao coração da África. Sob o governo de Leopoldo I, o Congo Belga foi transformado em um vasto seringal. Homens, mulheres e crianças que não conseguiam obter suas cotas de látex tinham seus membros decepados. O país tornou-se cenário de um dos maiores genocídios raciais do século, com uma estimativa de 10 milhões de africanos mortos sob o domínio colonial.

A violência racial nos Estados Unidos

O episódio começa com a abolição da escravatura nos Estados Unidos em 1865, após a qual os negros foram impedidos de votar, permaneceram empobrecidos e se tornaram vítimas de violência e assassinato se resistiram ao racismo. Em vez da escravidão, o sistema de trabalho deixava os negros em dívida permanente com os proprietários de terra. As chamadas leis de Jim Crow impuseram a segregação racial no sul dos Estados Unidos  (elas ficaram em vigor até 1965). O linchamento era prática que mantinha a população negra aterrorizada. Muitas vezes a matança e a tortura aconteciam para a diversão de grandes multidões de espectadores e cartões-postais com cenas de enforcamentos ou corpos trucidados eram vendidos pelos Estados Unidos.

O linchamento de Jess Washington, de 17 anos, em 1916 é descrito em detalhes, assim como tumultos e assassinatos como o motim racial de Tulsa, de 1921, quando uma multidão de cidadãos brancos atacou moradores e empresas da comunidade afro-americana de Greenwood, em Tulsa, Oklahoma. É considerado um dos piores incidentes de violência racial na história dos Estados Unidos, e destruiu mais de 35 quarteirões do distrito, na época a mais rica comunidade negra do país.

Corpo de Jess Washington, 1916

Corpo de Jess Washington pendurado em uma árvore depois de ser queimado vivo, mutilado e arrastado pelas ruas, em Waco, no Texas, em 15 de maio de 1916. As fotos da sequência do linchamento foram vendidas como cartões postais da cidade.

James Allen, um colecionador de fotografias de linchamento, comenta porque esses eventos desapareceram da memória humana: “A América Branca mantêm até hoje o controle da história da violência racial: é como se vivêssemos intelectualmente em um país ocupado e enquanto a América branca reter o poder e o mito da superioridade moral, a história nunca se tornará totalmente pública e escrita. em nossa consciência nacional “. Além disso, os negros eram caracterizados como palhaços em tradições como o Blackface (maquiagem usada por atores brancos para representar uma caricatura de uma pessoa negra).

Blackface

Exemplo de Blakface: pôster do show do comediante William H. West mostrando sua transformação em personagem “preto”, 1900.

A violência racial no Congo Belga

Em nome da “civilização”, 90% do continente africano foi dividido entre as potências europeias. Leopoldo II, rei da Bélgica entre 1865 e 1909, administrou o Estado Livre do Congo (atual República Democrática do Congo) como sua possessão privada.Explorou o trabalho forçado dos nativos, com violência onde eram comuns os espancamentos, matanças e mutilações, quando as cotas de produção de látex não eram alcançadas.

Entre 1880 e 1920 cerca de 10 milhões de congoleses foram mortos. Leopoldo II construiu um museu da colonização do Congo, que exibia um dos primeiros chamados zoológicos humanos que percorreu a Europa no final do século XIX e início XX.

Zoológico humano

Menina do Congo diverte os visitantes no zoológico humano em Bruxelas, na Bélgica.

As crueldades cometidas no Congo foram condenadas por órgãos internacionais e o parlamento belga passou a administrar a colônia que passaria a ser conhecida como Congo Belga.

Violência racial na África do Sul

A África do Sul, independente da Grã-Bretanha desde 1961, era uma república democrática somente para a minoria branca (cerca de 3 milhões de pessoas). A maioria (11 milhões) vivia sob o regime do apartheid, política oficial de segregação racial implementada em 1948.

O sistema de divisão racial não tinha a intenção de exterminar a população negra, mas estabelecer limites de circulação dos negros, determinar lugares de moradia, trabalho e lazer exclusivos para os negros. Isto deu uma ilusória aparência de democracia que permitiu ao governo sul-africano obter o apoio de governos internacionais.

Após o massacre de Shaperville (1960), a proibição do Congresso Nacional Africano e a prisão de Nelson Mandela (1964), os confrontos entre negros e brancos tornaram-se cada vez mais violentos e as mortes aumentaram. Em 1976, tumultos de estudantes levaram muitos estudantes a serem mortos, assim como o líder da Consciência Negra, Steve Biko, ativista sul-africano antiapartheid.  Praticamente todas as famílias na África do Sul foram de alguma forma afetadas pelos assassinatos e torturas.

Movimento dos Direitos Civis nos Estados Unidos

Nos Estados Unidos, soldados afro-americanos que voltavam da guerra, em 1946, eram linchados à razão de um por semana. Foi um dos motivos para tomar corpo o Movimento dos Direitos Civis dos negros nos Estados Unidos (1955-68). O marco inicial deste movimento foi em 1 de dezembro de 1955 quando a costureira negra Rosa Parks recusou-se a ceder seu lugar para um homem branco, prática obrigatória de acordo com as leis segregacionistas do estado de Alabama, Estados Unidos.

Pouco antes, em 28 de agosto de 1955, tinha ocorrido o linchamento do jovem negro Emmett Till, de 14 anos, em Mississippi acusado de ofender uma mulher branca em um supermercado. A foto de seu rosto desfigurado, testemunho de extrema crueldade e ódio, tornou-se ícone do Movimento dos Direitos Civis. As violências continuaram como atestam os assassinato de dois de seus maiores líderes,  Malcolm X (1965) e Martin Luther King. Jr. (1968).

A Lei dos Direitos Civis, decretada em 1964, extinguiu a legislação segregacionista dos Estados Unidos mas não conseguiu aliviar a pobreza da maioria da população negra do país.

Cadáver desfigurado e mutilado de Emmett Till

Cadáver desfigurado e mutilado de Emmett Till, assassinato por motivos raciais em 1955. Sua mãe insistiu em um funeral de caixão aberto para que a crueldade fosse testemunhada por todos.

Violência racial na Grã-Bretanha

Os tumultos raciais e a controvérsia racial da Grã-Bretanha levaram à Lei de Relações Raciais de 1968 e, em retaliação, o célebre discurso “Rios de Sangue”, do político conservador Enoch Powell que criticou fortemente a migração em massa de africanos e asiáticos das antigas colônias britânicas para a Grã-Bretanha.

Muitos anos de policiamento agressivo se seguiram quando a nova geração de jovens negros lutou por seus direitos. Finalmente, o assassinato do britânico negro Stephen Lawrence, de 19 anos, em Londres, em 1993, por razões raciais, trouxe mudanças legais. A investigação do crime desnudou que o racismo institucional era parte do problema. A repercussão internacional do caso levou a mudanças culturais nas relações raciais e mudanças na lei e na conduta policial.

O relatório de William Macpherson sobre o assassinato de Stephen Lawrence identificou o racismo institucional como uma situação “onde não existe nenhuma política declarada de não discriminação, mas todos os resultados de suas operações são abertamente discriminatórios”. O racismo institucional está no fracasso de uma organização em fornecer um serviço adequado e profissional às pessoas por causa de sua cor, cultura ou origem étnica.”

É a cultura do racismo dentro de uma organização que arruína o compromisso formal com a igualdade e que produz resultados racistas. No entanto, a situação de desigualdade econômica e social dos negros no Reino Unido ainda persiste.

Em todo o mundo, a desigualdade racial permanece como era, com a maioria dos brancos vivendo vidas relativamente bem-sucedidas e a maioria dos negros em extrema pobreza. Nos Estados Unidos, o racismo daltônico (em que os brancos não acreditam que existe racismo) consiste em três instituições – desemprego em massa, encarceramento em massa e privação de direitos em massa. Dos 2,3 milhões de prisioneiros nos EUA, metade é negra. Estes, assim como os ex-condenados, não podem votar pelo resto de suas vidas.

Finalmente, temos os argumentos polêmicos de The Bell Curve: Intelligence and Class Struture in American Life,  um best-seller de 1994, que afirma que o fraco desempenho dos negros em testes de QI provava sua inferioridade intelectual. Críticas a isso receberam pouca atenção. A pesquisa do livro foi financiada pela Pioneer Fund, uma fundação americana, criada em 1937, “para promover o estudo científico da hereditariedade e das diferenças humanas”, considerada racista e defensora da “supremacia branca”  e da eugenia racial. O privilégio racial perdura, continuando a moldar destinos em todo o mundo.

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[…] da brutalidade do que então ocorria nas colônias europeias da África e Ásia. As teorias do darwinismo social, da eugenia e do racismo científico forneciam justificativas à expansão […]

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[…] racismo não tem base científica, mas, sim, política. Teorias racistas serviram como justificativa para massacrar […]

Rafaela Santos Cardoso
Rafaela Santos Cardoso
5 anos atrás

Ler isso me embrulhou o estômago…e aqui no Br só se reproduz a história contada pelos ‘vencedores’, enquanto o imaginário social tanto celebra 1 único tipo de herança e miscigenaçao: a europeia-tupiniquim, bradando com orgulho seus sobrenomes alemaes como Fischer, e outros sobrenomes europeizados. Afinal, diferente de uma Maria dos Santos qualquer, ser um branco q ostenta tal sobrenome é ‘chique’, tem história..tem história sim: o q carregam no sangue e fenótipo com tanto orgulho sao as marcas de uma origem de genocidas cruéis ..privilégios e sobrenomes manchados com o sangue de milhares de seres humanos..credo

Janaina Mihla
Janaina Mihla
4 anos atrás

Faltou o papel da igreja católica que a senhora tanto defende com o negro sem alma e marca de CAM. A eugenia americana não foi iniciada nos preceitos darwinistas mas cristãos que a senhora tanto defende. O ” DARWINISMO SOCIAL” não tem anda de ciencia nem de DARWIN ou o que ele publicou mas tem muito do cristianismo católico, protestante. Principalmente em relação ao negro e judeus… É por isto que idade das trevas ( que sim existiu apesar de pós modernistas falarem ao contrario) foi perigosa.. Pessoas como os mantenedores deste site tem uma fé e moldam a realidade… Read more »

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