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Pré-História do Brasil (parte 3): Seridó (RN) e Ingá (PB)

9 de dezembro de 2014

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Entre o sertão do Rio Grande do Norte e da Paraíba há uma região chamada Seridó. As pesquisas nesta região estão surpreendendo os especialistas. Ali se localizam os sítios arqueológicos Xiquexique 1 e 2 localizados no município de Carnaúba dos Dantas, RN. Fazendo parte do conjunto do Seridó, está o sítio arqueológico Mirador, em Parelhas, RN.

As pinturas rupestres do Seridó datam de cerca de 9 mil anos. Foram feitas com tauá, mineral rico em óxido de ferro, e ainda são bem visíveis considerando que o local é aberto e sujeito à ação do clima

Pinturas rupestres do Seridó

As pinturas se assemelham às da Serra da Capivara com traços finos, figuras de tamanhos pequenos e pintadas nas cores vermelha, amarela e branca. Mas trazem temas novos: há muitas imagens de pirogas, um tipo de embarcação rústica feita de um só tronco de árvore cavado e que ainda são muito comuns pelo interior do Brasil.

Nas pinturas rupestres do Seridó há cenas de caça entre elas a que mostra dois indivíduos com as pernas flexionadas abatendo uma anta. Um deles traz um bastão enquanto o outro se posiciona para segurar o animal. Ambos usam cocares, porém de formatos diferentes. Ao lado de cada um, há uma cesta e um bastão. Abaixo deles aparece um outro animal, talvez já abatido. Duas figuras humanas, com os braços erguidos, seguram bastão e um recipiente semelhantes aos objetos retratados acima. Toda essa cena não tem mais do que 18 cm de comprimento.

Dois indivíduos abatendo uma anta, pintura rupestre do Seridó.

Dois indivíduos abatendo uma anta, pintura rupestre do Seridó.

Outra pintura mostra uma cena de luta ou de ritual. A figura da esquerda está em movimento e segurando um objeto grande – um tacape ou borduna –, feito de madeira forte e cravado de ossos ou dentes. A figura da direita está parada mas ergue um bastão e usa um cocar com penas que descem pelas suas costas.

Uma cena de luta ou de sacrifício mostra um indivíduo de cocar segurando dois bastões, um em cada mão. Ele aponta para a figura à sua frente como se fosse desferir o golpe. É curioso observar que a figura que ataca parece estar gritando.

Duas figuras que parecem gritar investem uma contra a outra. Ambas usam um mesmo tipo de cocar com penas caídas nas costas. Entre elas, há uma figura menor. Talvez uma criança em pleno ritual de iniciação, como é comum entre os povos indígenas. A criança encontra-se de frente para o indivíduo da direita, repetindo o movimento deste, com as pernas abertas como se estivesse correndo.

As pinturas rupestres do Seridó, trazem também cenas de danças, como a que mostra três figuras em um mesmo movimento e desenhadas em linha decrescente. Poderia ser uma forma de uso da perspectiva, para dar a impressão de profundidade?

Uma suposta dança.

Uma suposta dança.

Os sítios arqueológicos do Seridó são pesquisados por equipes da Universidade Federal de Pernambuco e da Universidade Estadual da Paraíba. Entre as descobertas realizadas, foi encontrado um cemitério indígena com restos de 28 esqueletos. O mais antigo tem 9.400 anos.

Petróglifos do Seridó

No sertão do Seridó foram encontrados, também, 50 sítios arqueológicos com gravações executadas na pedra, os petróglifos. No Brasil, os petróglifos são chamados de itaquatiara, palavra indígena que significa “pedra pintada”.

Existem itaquatiaras em todo país, do Amazonas ao Rio Grande do Sul, e sempre localizadas junto aos rios.

A Pedra do Ingá, da Paraíba

A mais conhecida Itacoatiara fica no interior da Paraíba, no município de Ingá. É a famosa Pedra do Ingá, uma enorme rocha de quase 24 m de comprimento por 3 m de altura.

Boa parte da Pedra do Ingá está coberta de inscrições de grande complexidade. As gravações têm 3 a 7 milímetros de profundidade. Não se sabe o que elas significam nem a data em que foram feitas e por quem.

Itacoatiara Pedra do Ingá, Paraíba.

Itacoatiara Pedra do Ingá, Paraíba.

A falta de estudos de arqueólogos profissionais gerou especulações fantásticas e fantasiosas sobre a Pedra do Ingá e outras itacoatiaras do Brasil. Falou-se que eram inscrições de fenícios, gregos, vikings ou de povos vindos da ilha da Páscoa.

Há quem afirme que as inscrições são um calendário, um mapa astronômico ou sinais deixados por uma civilização desaparecida ou até por seres extraterrestres em visita ao planeta.

Talvez os grafismos da Pedra do Ingá tenham sido feitos para não serem decifrados: podem ser o registro de práticas mágicas e, como tal, mantido em segredo pelos sacerdotes e xamãs que executaram os estranhos sinais na pedra. O poder da pedra está no mistério que a envolve.

Veja o vídeo Pré-História do Brasil, parte 3

Fonte

  • CUNHA, Manuela Carneiro da (org.). História dos índios no Brasil. São Paulo: Companhia das Letras, 1992.
  • GASPAR, Madu. A arte rupestre no Brasil. Rio de janeiro: Zahar, 2003.
  • PROUS, André. Arqueologia brasileira. Brasília: UnB, 1992.
  • PROUS, André. Arte Pré-Histórica do Brasil. Belo Horizonte, MG: Com Arte, 2007.
  • PROUS, André. O Brasil antes dos brasileiros. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2006.

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Márcia C. Mesquita
Márcia C. Mesquita
5 anos atrás

Obrigada pelos vídeos. Excelentes. Usei em minhas aulas com a turma do sexto ano. Bom trabalho!!!

Márcia C. Mesquita
Márcia C. Mesquita
5 anos atrás

Olá Joelza, tudo bem? Você poderia verificar o que houve com video 4 sobre os Sambaquis, não estou conseguindo acessar.

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[…] do Sul, onde, supostamente, foi encontrada) acabou sendo identificada com a enigmática e conhecida Itacoatiara de Ingá, na […]

Diego Dael
Diego Dael
3 anos atrás

Parabéns Joelza. Infelizmente existe muito pouco material bom sobre a história incrível do nosso país e ainda menos sobre a nossa pré-história. Esforços como o seu enriquecem a internet e a cultura do país. Bom trabalho.

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