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A múmia da Mongólia apelidada de “múmia Adidas”

15 de abril de 2017

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A múmia de uma mulher, descoberta em 2016, na Mongólia, surpreendeu os especialistas: seus trajes e pertencentes pessoais estavam inteiros e haviam sido confeccionadas com surpreendente habilidade. As botas de cano longo, em especial, traziam listras na cor vermelha brilhante que logo foram comparadas com o contemporâneo design Adidas. O achado suscitou manchetes bizarras na imprensa de todo mundo que anunciaram a descoberta de uma múmia milenar calçando tênis Adidas!

Mongolia_mapa

A Mongólia está na Ásia Oriental e Central, tendo a Sibéria ao norte, e a China ao sul. O país é escasso em terra arável, coberto em grande parte por estepes, com montanhas ao norte e ao oeste e com o deserto de Gobi, ao sul. Cerca de 1/3 de sua população é nômade ou semi-nômade. O mapa assinala o local da descoberta da múmia.

A múmia de 1100 anos

O corpo estava em um túmulo encontrado a 2.803 metros de altitude, nas montanhas de Altai, na Mongólia. A cordilheira de Altai estende-se pela Sibéria, Rússia, Mongólia, China e Cazaquistão.

Junto ao corpo foram desenterrados 51 artefatos incluindo quatro trajes, vasos, uma bolsa de pele, um saco de feltro bordado, uma faca, um espelho, um pente, um “kit” de costura, a cabeça de um carneiro, potes e uma sela com estribos de metal.

As botas de feltro são de cano alto, com solado de couro e trazem, no peito do pé, listras vermelhas bordadas. “Neste sentido, elas são um objeto de estudo interessante para etnógrafos, especialmente por seu estilo muito moderno”, afirma Galbadrakh Enkhbat, diretor do Centro de Patrimônio Cultural da Mongólia.

A múmia, datada do século X, apresentava uma grande lesão na cabeça proveniente de uma pancada que esmagou os ossos faciais e causou a morte. Aguardam-se os resultados de outras pesquisas para se concluir se o golpe foi desferido ou proveniente de uma queda.

A mulher tinha entre 30 e 40 anos. Apesar dos objetos elegantes que trazia consigo, ela não pertencia a uma classe social superior. “Avaliando o que foi encontrado dentro do túmulo, nós supomos tratar-se de pessoa de um estrato social comum”, explica Galbadrakh Enkhbat.

Acredita-se que a morta fosse de origem turca. Confirmada essa hipótese, será o primeiro enterro completo da etnia turca descoberto na Mongólia e, possivelmente, em toda Ásia Central. “Este é um fenômeno muito raro”, disse o pesquisador B.Sukhbaatar, do Museu Khovd, na Mongólia.

Esqueleto, mumia Adidas

A mulher morreu de forma violenta com idade entre 30 e 40 anos.

Crânio, mumia Adidas

Crânio com ossos da face quebrados.

A descoberta da múmia permite conhecer rituais e crenças dos antigos turcos como, por exemplo, o sacrifício de animais. Junto com o corpo, havia uma égua entre quatro e oito anos que foi deliberadamente sacrificada.

A altitude e o ar frio e seco ajudaram a preservar os corpos e os tecidos. Além disso, eles foram cobertos de shilajit, uma substância espessa, pegajosa como o alcatrão com a cor que varia do castanho amarelado a preto escuro, e encontrada nas montanhas de Altai, Himalaia, Tibet, Cáucaso.

Sob essas condições, os corpos e os tecidos de feltro não sofreram reação biológica. “Eles pareceram como se tivessem sido usados ​​apenas ontem”, disse Galbadrakh Enkhbat.

A múmia e seus pertences podem ser visto no Museu Nacional da Mongólia onde os visitantes ainda a procuram como “múmia Adidas”.

Breve história dos povos da Mongólia

Os criadores de ovelhas, cabras, camelos e cavalos da Mongólia atual ainda possuem um modo de vida semelhante ao de seus antepassados. Sua aparência física assemelha-se à de outros orientais: cabelos lisos e negros, olhos oblíquos, castanhos ou negros, e maçãs do rosto saliente.

A história dos antigos grupos nômades da Ásia Central – citas, hunos, ávaros, magiares, tártaros, turcos etc. – ainda é pouco conhecida e depende em grande parte das escavações arqueológicas. A similaridade da língua e do modo de vida dessas populações tornam ainda mais difícil identificá-las nos relatos mais antigos.

Documentos chineses que remontam a séculos antes de Cristo referem-se aos hunos contra os quais, foi erguida a Muralha da China a partir do século III a.C.  Por volta do século VII, os turcos são mencionados nos relatos chineses como nômades vindos do norte (da Mongólia).

Os povos da Mongólia não se limitaram a atacar os domínios chineses. Em um certo momento, eles voltaram sua atenção ao oeste e logo chegaram à Europa.

No século IX, os magiares, com uma cavalaria poderosa, lançaram-se a incursões a oeste atingindo a Europa Central em ataques rápidos, vastos e selvagens. Ocuparam os territórios que hoje correspondem a parte da Rússia, Hungria e Bulgária. Atualmente, um dos elementos definidores da etnia magiar é a língua húngara.

No século X, foi a vez dos turcos migrarem para o sudoeste, ocupando o território do atual Cazaquistão, onde se sedentarizaram. Entre os séculos X e XI, os turcos da dinastia dos seljúcidas, convertidos ao Islamismo, começaram a participar cada vez mais ativamente da vida política do Império Islâmico. Acabaram assumindo a liderança dos domínios islâmicos e lançaram à conquista da Ásia Menor (correspondente a atual Turquia), do Egito, Síria, Pérsia e Palestina.

Gêngis Khan e o Império Mongol

Os mongóis propriamente ditos, permaneceram no leste da Mongólia divididos em tribos e clãs que ora se aliavam e ora guerreavam entre si. No início do século XIII, os mongóis foram unidos por Gêngis Khan, um jovem guerreiro mongol. Em 1211, seus guerreiros entraram na China causando imensa devastação. Cinco anos depois, eles conquistaram Beijing (Pequim). Calcula-se que a campanha teria custado a vida de 30 milhões de chineses.

Ao morrer, em 1227, Gêngis Khan tornara a Mongólia o coração de um império que incluía partes da China, da Manchúria, os atuais Cazaquistão, Uzbequistão, Tagiquistão, Irã, Armênia, Geórgia, partes do Afeganistão, da Índia, da Rússia e do Iraque.

Os sucessores de Gêngis Khan continuaram a conquista: avançaram sobre o restante da China, todo o norte da Índia, Síria, grande parte da Rússia europeia, parte da Polônia, Bulgária e Hungria, além de fazer dos turcos seljúcidas e dos reinos da Birmânia, Anan e Champa seus vassalos.

O Império Mongol (séculos XIII e XIV) foi o mais extenso império da História estendendo-se da Ásia até a Europa Central.

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