Resultados

Minotauro: o mito e suas múltiplas leituras e simbolismos

15 de junho de 2015

289
compartilhamentos

Uma criatura monstruosa, com a cabeça e a cauda de touro e o corpo de homem, o Minotauro era o flagelo da  população de Creta. Vivia encerrado no Labirinto e seu apetite só era saciado com vítimas humanas. Até que um dia,  o príncipe ateniense Teseu decidiu matá-lo pondo fim ao trágico tributo imposto à cidade de Atenas de enviar anualmente sete moças e sete rapazes para serem devorados pelo Minotauro.

O mito do Minotauro atravessou os tempos aparecendo nos poemas clássicos, nos mosaicos greco-romanos e na arte da Renascença. Ele é mostrado no centro de muitas representações do Labirinto. Foi mencionado por Dante Alighieri, em A Divina Comédia, no canto 12, quando Dante e seu guia Virgílio buscam caminho entre pedregulhos na encosta para entrar no sétimo círculo do inferno. Está nas pinturas de Salvador Dali, René Magritte, Max Ernst, Diego Rivera e Pablo Picasso que lhe dedicou uma série de gravuras.

Mais recentemente, o Minotauro foi tema do videogame de realidade virtual Theseus (2017). Em Assassin’s Creed: Odyssey (2018) o personagem principal (Alexios ou Kassandra) visita as ruínas do Palácio de Knossos para matar o Minotauro no Labirinto das Almas Perdidas.

No final do artigo, temas para trabalhar em sala de aula e download do mito.

O mito do Minotauro

Conta-se que Minos desejando ser rei de Creta rogou a Poseidon, o deus dos mares, que enviasse um sinal divino que mostrasse a todos que ele era o escolhido pelos deuses. Poseidon atendeu-o com uma condição: faria surgir um belo animal e Minos deveria sacrificá-lo imediatamente ao deus.

Minos concordou, e viu sair das águas um magnífico touro branco de chifres dourados.  O deus cumpriu sua parte no trato porém Minos diante de um animal tão esplêndido, não cumpriu a promessa. Guardou o touro para si e sacrificou outro animal para o deus. Poseidon ficou furioso em ter sido enganado e, por vingança, inspirou Pasífae a jovem esposa do rei, a se apaixonar loucamente pelo touro branco de chifres dourados. Dos amores entre Pasífae e o touro* nasceu um ser monstruoso, meio humano meio animal, o Minotauro.*

Horrorizado e cheio de vergonha, Minos encomendou ao artista ateniense Dédalo a construção de um imenso palácio, o Labirinto, tão cheio de corredores que se entrecruzavam e de aposentos dispostos de tal maneira que quem nele entrasse não conseguisse sair mais. O Minotauro foi deixado no Labirinto. O apetite voraz do monstro só era aplacado com vítimas humanas jovens.

[*Esta parte do mito foi suprimida no texto de download por ser inadequada para alunos pequenos. A supressão não compromete a posterior interpretação e análise do mito.]

Teseu mata o Minotauro, mosaico

O tema do labirinto aparece em numerosas obras greco-romanas como esse mosaico de 300-400 d.C. No centro do labirinto, Teseu mata o Minotauro. Kunsthistorisches Museum, Viena, Áustria.

Tempos depois, aconteceu de um filho de Minos ter sido morto em Atenas, cidade tributária de Creta. Furioso, o rei exigiu que a cidade enviasse sete rapazes e sete moças, a cada sete anos (ou nove ou anualmente, as versões divergem) para serem devorados pelo Minotauro. Quando o terceiro sacrifício se aproximou,  Teseu ofereceu-se para matar o monstro. Egeu, seu pai, mandou preparar o navio com velas pretas, em sinal de luto. Incluiu também um jogo de velas brancas recomendando a Tese que, se voltasse vitorioso, mandasse hastear as velas brancas.

Chegando a Creta,  Teseu conheceu a princesa Ariadne, filha de Minos que se apaixonou pelo jovem ateniense. Decidida a ajudá-lo a sair do Labirinto, ela lhe deu um novelo de lã que Teseu deveria amarrar na entrada e ir desenrolando à medida que caminhasse para o interior da complicada construção.

Teseu e Ariadne na entrada do Labirinto

Teseu e Ariadne na entrada do Labirinto, Richard Westall, 1810, North Lincolnshire Museums

Ariadne impôs uma condição a Teseu: que ele a desposasse e a levasse consigo para Atenas.  Teseu matou o Minotauro com a espada de Egeu e, guiado pelo novelo de lã, levou os outros jovens para fora do labirinto. Embarcaram de volta à Atenas levando Ariadne com eles. No caminho, o navio parou em Naxos. Ariadne desceu e adormeceu na praia.  Quando acordou estava só. Teseu a havia abandonado.

Aproximando-se de Atenas, Teseu esqueceu de trocar as velas pretas pelas brancas. Egeu, em um ponto alto, avistou de longe o navio com a vela preta se aproximando. Presumindo que o filho estivesse morto, suicidou-se atirando-se ao mar que, desde então, recebeu o seu nome.

No final do artigo, temas para trabalhar em sala de aula e download do mito.

A civilização minoica

O mito do Minotauro teria surgido à época em que Creta era a principal potência política e cultural do mar Egeu. Ali desenvolveu-se, a partir de 2600 a.C., a civilização minoica – nome derivado de Minos, o mítico rei de Creta.

Entre 2000 e 1450 a.C., a civilização minoica viveu seu período de maior prosperidade, dominando cidades gregas continentais de quem cobrava tributos. Objetos produzidos por artesãos cretenses foram encontrados no Egito, em Chipre, na costa fenícia (Biblos e Ugarit), na Grécia, nas costas da Ásia Menor (atual Turquia). Foi a primeira civilização do Mediterrâneo a se lançar às atividades marítimas (os fenícios foram seus sucessores).

Comercializavam vinhos, azeite e cerâmica produzidos na ilha e objetos de metais. Foram pioneiros na metalurgia do bronze e produziam joias e armas de luxo incrustadas com pérolas e pedras raras que eram vendidas no Mediterrâneo Oriental. Possuíam um sistema de pesos e medidas feitos por lingotes e discos de cobre.

Os cretenses construíram estradas pavimentadas que cruzavam a ilha de ponta a ponta. Suas moradias possuíam canalização para distribuição de água e coleta de esgoto.

Damas em azul, Cnossos

Damas em azul, afresco restaurado, Cnossos, Creta.

Na sociedade cretense, a mulher ocupava uma posição de relevo e gozava de uma liberdade desconhecida em outras culturas da época. As pinturas mostram mulheres fora de casa, em praça pública, no teatro, na arena de acrobacias. As divindades mais representadas são femininas, cabendo às sacerdotisas o principal papel nas cerimônias. Segundo Arthur Evans, tratava-se de uma sociedade matriarcal – hipótese aceita por outros especialistas.

O fim da civilização minoica foi violento. Entre os anos 1450 e 1400 a.C., a ilha sofreu a invasão dos dorios, povo guerreiro da Grécia continental. Eles destruíram os palácios e submeteram a população minoica, impondo-se como seus governantes. Pouco depois, ocorreu uma violenta erupção vulcânica na ilha de Tera (atual Santorini), próxima a Creta. O terremoto e o maremoto que se seguiram atingiram Creta com tamanha força que as construções foram ao chão e seus barcos e o próprio porto foram para o fundo do mar.

A arqueologia à procura do Minotauro

A escrita minoica permanece indecifrada. As fontes escritas para se conhecer a civilização minoica são indiretas, sendo a maioria delas relatos deixados pelos antigos gregos, entre os quais, o mito do Minotauro.

O nome de Minos ainda é um mistério. Desconhece-se se era o nome de um governante, de uma dinastia de Cnossos ou um termo minoico para designar rei. De qualquer forma, Minotauro significa “o touro de Minos”, uma alusão à dominação exercida pelo governante de Cnossos, para quem os povos dominados deviam pagar pesados tributos. Nesse sentido, a decisão de Teseu de eliminar o Minotauro é uma oposição à dominação exercida por Minos sobre os atenienses.

Reconstituição artística do palácio de Cnossos segundo Arthur Evans.

Reconstituição artística do palácio de Cnossos segundo Arthur Evans que escavou o local entre 1900 e 1935. O palácio possuía cerca de 1300 salas conectadas com corredores de tamanhos variados e ocupava uma área de 24.000 m2.

As escavações realizadas em Creta durante 30 anos por Arthur Evans (1851-1941) revelaram muitas evidências que remetem ao mito do Minotauro. O gigantesco Palácio de Cnossos, com seu intrincado desenho arquitetônico repleto de corredores e milhares de salas, sugere tratar-se de um labirinto do Minotauro.

O símbolo sagrado minoico, um machado de dois gumes que decorava as colunas e nas paredes do palácio, era chamado de labyrs, palavra que identificava o palácio de Cnossos como o “palácio do labyrs” o que acabou por associá-lo a “labirinto”.

Outra referência ao mito são as numerosas pinturas e esculturas de touros e touradas encontrada nas escavações. O touro era considerado um animal sagrado e a a tauromaquia (“jogo do touro”) representada nos afrescos, devia fazer parte de uma festividade religiosa. Neste jogo, uma espécie de tourada sem que o animal fosse morto, consistia em perigosas acrobacias feitas por homens e mulheres. Os participantes deviam agarrar-se nos chifres do touro, dar um impulso e saltar sobre as costas do animal, caindo de pé atrás dele.

Afresco jogo do touro, Cnossos

Afresco representando a tauromaquia, o jogo do touro, Cnossos, Creta

Figura de touro, afresco

Figura de touro, afresco em relevo, restaurado, palácio de Cnossos, Creta.

 O mito e sua simbologia

O labirinto é, essencialmente, um entrecruzamento de caminhos que constituem impasses, dificuldades que retardam a chegada do viajante ao centro que deseja atingir. Seu desenho era conhecido no Egito Antigo, estava representado no oráculo de Cumas, nos petroglifos de Nazca e nas lajes das catedrais góticas simbolizando o caminho percorrido pelo eleito, aquele que é digno de chegar ao centro, isto é, à revelação misteriosa. Uma vez atingido o centro, o eleito está consagrado e introduzido nos mistérios aos quais fica ligado pelo segredo.

O labirinto é, também, o símbolo da autorreflexão: concentrar-se em si mesmo, não se deixar desviar por outras escolhas ou ideias (caminhos) para atingir o centro. O labirinto conduz o homem ao interior de si mesmo onde reside um tesouro: a essência de sua humanidade.

Labirinto catedral de Chartres, séc. XIII

Labirinto desenhado no piso da catedral de Chartres, França, séc. XIII (foto via Fashion Cloud).

O fio de Ariadne, por sua vez, é o fio dourado que conduz Teseu para chegar ao seu destino e depois sair da escuridão e retornar à luz. Metáfora da sabedoria, da luz interior, da intuição, do autoconhecimento ou do amor (foi por amor que Ariadne ajudou Teseu), o simbolismo do fio de Ariadne inspirou poetas, escritores e filósofos em todas as épocas.

Na filosofia, a linha de Ariadne é a denominação de um método de resolução de problemas que permite seguir vestígios e ordenar a pesquisar para atingir um ponto de vista final desejado.

Quanto à Ariadne, trata-se de uma representação do mundo matriarcal. Segundo Arthur Evans, a civilização minoica era uma sociedade matriarcal cuja religião baseava-se exclusivamente na adoração de divindades femininas. A importância conferida à mulher na antiga Creta é atestada pelas numerosas imagens em que a mulher aparece exercendo funções religiosas, administrativas e políticas.

Teseu, por sua vez, é um herói representante do mundo patriarcal e da “pólis”. Em sua mitologia, ele é dito como aquele que reuniu poderosos “genos” em uma só “pólis”, promulgou leis, fundou a Boulé e adotou o uso da moeda. Ele é o herói fundador da sociedade masculina e patriarcal grega que exclui a mulher da cidadania. Teseu e Ariadne representariam dois mundos inconciliáveis àquela altura. O abandono de Ariadne em Naxos seria, assim, a explicação mítica do fim da sociedade matriarcal.

Na sequência do mito, Ariadne é encontrada por Dionísio que a faz sua mulher. Na celebração das núpcias, a deusa Afrodite ofereceu a Ariadne um maravilhoso diadema de ouro com brilhantes. Quando Ariadne morreu, o diadema se transformou na constelação Corona Borealis ou Coroa de Ariadne. Na Idade Média, astrólogos tentaram renomear a constelação como Coroa de Espinhos, sem sucesso.

Ao longo do tempo, a triste história de Ariadne, reduziu-se ao tema da mulher “seduzida e abandonada”. Poetas e escritores (Corneille, Victor Hugo, Nikos Kazantazakis, Marguerite Yourcenar etc.), escultores, pintores e músicos (Monteverdi, Haendel e Richard Strauss) criaram obras inspiradas no mito de Ariadne, a mulher infeliz que amou, foi usada e depois deixada.

Os escritores argentinos Jorge Luis Borges e Julio Cortázar  resignificam o mito em contos pertencentes ao gênero fantástico. Em “Los dos reyes y los dos laberintos” (na obra “El Apeph”, de 1949) Borges opõe duas ideias de labirinto: um construído pelo homem, de bronze, portas e escadas,  construído para impedir o homem de entrar; o outro labirinto, em oposição, é o deserto. A disputa de labirintos é travada entre dois reis. Em “La casa de Asterión”, Borges confere voz e identidade ao Minotauro.

Na obra “Los Reyes” (1949), Julio Cortázar revisita o mito em um poema dramático pleno de significados como essa fala do Minotauro a Teseu: “Olha, só há um meio para matar os monstros: aceitá-los”.

É instigante lançar o desafio aos nossos alunos e ver que leitura eles fazem do mito à luz das questões que atormentam o homem. É o que propomos a seguir.

Para acessar o mito, inscreva-se abaixo.

Após esta etapa você será direcionado para a página de download.

Trabalhando o mito em sala de aula

O mito do Minotauro permite trabalhar diversas competências socioemocionais com os alunos:

  • determinação,
  • autoconfiança,
  • colaboração,
  • dar e receber ajuda,
  • enfrentar dificuldades,
  • responsabilidade,
  • encontrar soluções simples para problemas complexos.

Para explorar esses aspectos, é importante apresentar o mito com toda riqueza de detalhes e analisar  cada trecho induzindo os alunos a refletir e avaliar a ação dos personagens.

O tema da responsabilidade, por exemplo, aparece no mito em dois momentos: a promessa não cumprida de Minos com Poseidon (não sacrificou o touro), e o não atendimento de Teseu ao pedido do pai (não trocou as velas do navio). A falta de responsabilidade leva a outras atitudes negativas: Minos tomou para si o que não lhe pertencia (o touro de Poseidon) agindo por ganância; Teseu abandonou Ariadne mostrando ser egoísta, desleal e ingrato.

A responsabilidade é um ato deliberado, de agir conscientemente, por  sua vontade. Ser responsável é responder por seus atos, e aceitar arcar com as consequências dele. Que consequências sofreram Minos e Teseu por suas irresponsabilidades?

As consequências não caíram somente sobre eles, mas sobre as populações que eles regem. Minos é rei, e Teseu, príncipe – o poder que possuem torna ainda maior o peso da responsabilidade de cada um. Assim, a juventude cretense é sacrificada ao Minotauro (o rei estende o sacrifício aos jovens atenienses); Atenas perde seu amado rei que se suicida pensando que o filho estava morto.

Teseu é um herói autoconfiante, determinado a enfrentar e vencer o desafio: matar o Minotauro. Por que, então, aceitou a ajuda oferecida por Ariadne? Qual a importância da colaboração?

Refletindo sobre a figura do Minotauro: porque uma criatura meio humana e meio animal é sempre feroz e amedrontadora? O ser humano tem um lado selvagem, irracional e violento?

O controle de nossas emoções mais violentas se dá pela consciência, pelo pensamento racional e inteligência emocional – forças mentais e cerebrais que podem e devem são desenvolvidas. A forma do cérebro não parece um labirinto? 

Ariadne ensinou Teseu como sair do labirinto dando-lhe um novelo de lã que serviu de fio condutor. O que poderia significar hoje para nós o fio de Ariadne?

O labirinto onde vive o Minotauro é uma prisão sem grades, na qual ele pode se movimentar mas não consegue sair. Qual o sentido simbólico do labirinto? Que tipos de labirinto o ser humano pode se defrontar em sua vida? Como sair dele?

Finalmente, o abandono de Ariadne por Teseu, é um tema caro aos adolescentes: o amor não correspondido e a rejeição. Como lidar com isso? Como superar?

Sugestão de leitura para os alunos

Nikos Kazantzaki, um dos maiores escritores gregos – autor de Zorba, o Grego – transformou o mito em um romance de aventuras em No Palácio do rei Minos, sua última obra publicada, ainda em vida. O romance agrada crianças e adolescentes sem ser superficial. Traz, também, um panorama da antiga civilização cretense descrevendo o trabalho de artesãos, as cidades, os ritos religiosos, o mercado e o comércio marítimo, as atividades agrícolas, os costumes e os conhecimentos técnicos dos cretenses.

Fonte

  • AYMARD, A. e AUBOYER, J. O Oriente e a Grécia Antiga, v. 2. Rio de Janeiro, São Paulo: Difel, 1977.
  • GUIMARÃES, Ruth. Dicionário da mitologia grega. São Paulo: Cultrix, 1995.
  • GRIMAL, Pierre. Dicionário de mitologia grega e romana. Rio de Janeiro: Bretrand Brasil 1993.
  • BRANDÃO, Junito de Sousa. Mitologia Grega. Petrópolis: Vozes, 1989.
  • BORGES, Jorge Luis. O Aleph. Rio de Janeiro: Globo, 2011.
  • CORTÁZAR, Julio. Os Reis. São Paulo: Civilização Brasileira, 2001.
  • KAZANTZAKI, Nikos. No palácio do rei Minos. São Paulo: Marco Zero, 1986.

 

Compartilhe

Comentários

Subscribe
Notify of
guest
8 Comentários
Oldest
Newest Most Voted
Inline Feedbacks
View all comments
J.H.Domingues
J.H.Domingues
5 anos atrás

Parabéns mana, por mais este trabalho.

Ely
Ely
5 anos atrás

Muito interessante, um conteúdo muito rico, cheio de detalhes que até então não conhecia. Obrigada por enriquecer meus conhecimentos de História!

Gabriel Lyra
Gabriel Lyra
5 anos atrás

Muito bom!!!!!

trackback

[…] descoberta do Vale dos Artesãos mostrou outra faceta do Egito Antigo, para além dos faraós e seus feitos: ela revelou aspectos surpreendentes da vida cotidiana do […]

Dédalo Araújo de Amorim
Dédalo Araújo de Amorim
3 anos atrás

Muito legal!! Parabéns!

Pereira Brasil
Pereira Brasil
3 anos atrás

Excelente,artigo.

Outros Artigos

Últimos posts do instagram

Fique por dentro das novidades

Insira seu e-mail abaixo para receber atualizações do blog: