Início da Cabanagem, Pará

07 de janeiro de 1835

0
compartilhamentos

Em 7 de janeiro de 1835, tinha início a Cabanagem quando os cabanos conquistaram a cidade de Belém do Pará e assassinaram o presidente Bernardo Lobo de Souza e o comandante das armas, além de se apoderar de armamentos. Os rebeldes eram liderados por Francisco Pedro Vinagre que foi escolhido para Comandante das Armas dos cabanos.

Foi instituído um novo presidente, Félix Clemente Malcher, latifundiário e dono de engenhos de açúcar. Malcher, contudo ficou poucas semanas no poder. Considerado um traidor por se manter fiel às exigências do governo imperial e não atender prontamente às reivindicações de seus companheiros, foi deposto e morto por um dos cabanos.

Eduardo Angelim assumiu a presidência e durante dez meses, a elite se viu atemorizada pelo controle cabano sobre a província do Grão-Pará. O império reagiu e nomeou, em março de 1836, o brigadeiro Francisco José de Sousa Soares de Andrea como novo presidente do Grão-Pará, autorizando a guerra total contra os cabanos. Quatro navios de guerra fizeram um bloqueio a cidade de Belém, tomada pela desordem, fome e varíola. Os cabanos insurgentes escapavam pelos igarapés em pequenas canoas, enquanto Eduardo Angelim e alguns líderes se refugiaram no interior. Os cabanos deixaram a capital Belém vazia para as tropas de Soares de Andrea.

Memorial da Cabanagem

Memorial da Cabanagem, monumento em concreto armado projetado por Oscar Niemeyer, inaugurado em 1985.

Em outubro de 1836, Angelim foi capturado, mandado para o Rio de Janeiro e depois aprisionado em Fernando de Noronha. Os cabanos, internados na selva, lutaram até 1840, até serem completamente exterminados. Nações indígenas como os Murá e os Mauê praticamente desapareceram.

Calcula-se que tenha morrido cerca de 30 mil pessoas – 20% da população da província estimada em 100 mil habitantes.

A Cabanagem (1835-1840) é considerada uma das maiores rebeliões populares da História do Brasil. A revolta teve como motivos a pobreza das populações ribeirinhas e o papel secundário destinado à província do Grão-Pará após a independência do Brasil. Reuniu negros, índios e mestiços, além de alguns integrantes das classes média e alta da região que lutaram contra a elite política e tomaram o poder da então província do Grão-Pará. O nome Cabanagem se deve ao tipo de moradia da população ribeirinha, uma espécie de cabana sobre estacas (palafita).

“A revolta dos Cabanos” – documentário exibido pela TV Escola.

Fonte

  • REIS, Marcos. Cabanos, a História. Belém: Maguen, 2011.
  • RODRIGUES, Denise Simões. Revolução cabana e construção da identidade amazônida. Belém: EDUEPA: 2009.
  • MOREIRA, Flávio Guy da Silva. Pródromos da Cabanagem – geografia e capítulos da história do Grão-Pará. Belém: Paka-tatu, 2012.
  • CHIAVENATO, Júlio José. Cabanagem, o povo no poder. São Paulo: Brasiliense, 1984.
  • CHIAVENATO, Júlio José. As lutas do povo brasileiro. São Paulo: Moderna, 1988.

Saiba mais

Abertura

  • O cabano paraense, de Alfredo Norfini, 1940.

 

Compartilhe

Navegue pela História

Selecione o mês para conhecer os fatos históricos ocorridos ao longo do tempo.

Outros Artigos

Últimos posts do instagram

Fique por dentro das novidades

Insira seu e-mail abaixo para receber atualizações do blog: