Início da Balaiada, Maranhão

13 de dezembro de 1838

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Em 13 de dezembro de 1838, tinha início a Balaiada (1838-1841), uma das mais importantes revoltas da História brasileira pela complexidade de suas motivações, pelo número de pessoas envolvidas e por envolver vários segmentos sociais, sobretudo os excluídos.

A população pobre livre (artesãos, vaqueiros e caboclos) oprimida pelos preços abusivos dos alimentos levantou-se, de início contra o “Pega”, isto é, o recrutamento forçado feito pelo governo da província. Cada filho recrutado significava um braço a menos no sustento da família.  O “Pega” levou muitos caboclos a viverem escondidos nas matas.

O gesto ousado de Manoel Francisco Ferreira, o Manoel Balaio, de libertar seu filho do recrutamento estimulou uma ação maior. Em 13 de dezembro, o vaqueiro Raimundo Gomes, o Cara Preta, junto com nove homens, invadiu o edifício da cadeia pública e libertou seu irmão e outros prisioneiros e ainda ganhou o apoio dos soldados encarregados da segurança policial da Vila.

O movimento cresceu com a adesão de milhares de escravos liderados por Cosme Bento das Chagas, o negro Cosme, que há tempos sacudiam todo o Maranhão com fugas, insurreições, crimes e formação de numerosos quilombos.

Havia também um chefe indígena, Matroá, que já era centenário e havia combatido, inclusive, na Guerra pela independência.

A revolta iniciada no Maranhão se alastrou pelo Piauí, repercutindo no Ceará, Bahia e Goiás. Dela participaram cerca de 8.000 homens livres pobres e mestiços e 3.000 negros escravizados.

O movimento foi sufocado pelas tropas comandadas pelo coronel Lima e Silva que cercou os rebeldes na cidade maranhense de Caxias, em 1841. Por esse feito, o coronel recebeu o título de Barão de Caxias.

Lima e Silva ofereceu anistia aos rebeldes que ajudassem a atacar o Quilombo de Lagoa Amarela. A tática funcionou e os quilombolas foram vencidos. Negro Cosme foi o último grande líder da Balaiada a ser derrotado. Preso, foi condenado à morte e enforcado em 1842.

Fonte

  • MIRANDA, A. Balaios e Bem-te-vis: a guerrilha sertaneja. Teresina: Instituto Dom Barreto, 2002.
  • JANOTTI, Maria de Lourdes Mônaco. A Balaiada. São Paulo: Brasiliense, 1987 (Coleção Tudo É História).
  • OTÁVIO, Rodrigo. A Balaiada 1839. Rio de Janeiro: Imprensa Nacional, 1942.
  • OTÁVIO, Rodrigo. A Balaiada 1839. Depoimento de um dos heróis do cerco. São Paulo: Siciliano, 2001.
  • SANTOS, Maria Villela. A Balaiada e a insurreição de escravos no Maranhão. São Paulo: Ática, 1983.
  • SANTOS, Sandra Regina Rodrigues dos. O sertão maranhense no contexto da Balaiada: conflitos e contradições II Simpósio de História do Maranhão Oitocentista. São Luís, Maranhão, 2011.

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Abertura

  • Grafite aquarelado de François-René Moreaux, século XIX.

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