Execução do rei Luís XVI, França

21 de janeiro de 1793

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Em 21 de janeiro de 1793, um domingo pela manhã, Luís XVI, rei da França, foi levado à guilhotina erguida na Place de la Revolution (hoje Place de la Concorde), em Paris, onde foi decapitado. Estava em curso, então, a Revolução Francesa que, após a execução do rei, entraria em sua fase mais dramática e violenta chamada de Terror.

Luís XVI foi derrubado pelos revolucionários parisienses em 10 de agosto de 1792.  Esse fato marcou uma virada importante na revolução, até então moderada e liberal prenunciando a sangrenta ditadura dos jacobinos. Três dias depois, o rei foi preso com sua família: sua esposa, a rainha Maria Antonieta, sua irmã e seu casal de filhos.

Em 20 de novembro de 1792, a descoberta de um cofre nos apartamentos do palácio real das Tulherias revelou a correspondência secreta de Luís XVI. Sugeria que o rei estava conspirando contra o governo revolucionário. Isso foi decisivo no julgamento e condenação do rei.

Em 3 de dezembro, Robespierre, em um de seus famosos discursos, defende a necessidade de condenar o rei para legitimar a revolução: “Não há julgamento a ser feito aqui. Não há nenhuma sentença a favor ou contra um homem, mas uma medida de segurança pública a ser tomada.  (…) Luís deve morrer porque a pátria deve viver… Peço que a Convenção Nacional declare que, a partir deste momento Luís é um traidor da nação francesa, um criminoso da humanidade”.

O julgamento, iniciado em 11 de dezembro, estendeu-se a janeiro do ano seguinte quando ocorreram as votações. Elas foram orais, exigência de Marat como forma de denunciar os “traidores”. Cada um dos 749 deputados deveria responder se o rei era inocente ou culpado, qual seria a sentença, e se o veredito deveria ser submetido à votação popular.

No dia 15 de janeiro de 1793, todos deputados presentes consideraram o rei culpado e 424 rejeitaram o apelo ao povo.

No dia 16, ocorreu a votação mais dramática: a da sentença. A sessão iniciou às 20h estendendo-se até a manhã do dia seguinte quando anunciou o resultado: 387 votos pela morte incondicional, 334 pela prisão seguida de exílio e 28 abstenções.

Alguns deputados não concordaram com a categoria em que seus votos foram enquadrados e exigiram outra votação. A nova e definitiva votação aconteceu na sexta-feira, 18 de janeiro. O resultado foi de 361 votos a favor da morte e 360 contra. Por apenas um voto de diferença Luís XVI foi condenado à morte na guilhotina.

A execução ocorreu três dias depois. No momento que era conduzido ao local da execução, houve uma tentativa de libertá-lo. O barão de Batz convocou 300 monarquistas para a operação e avançou em direção à carruagem onde estava Luís XVI gritando “Quem deseja salvar o rei, venha comigo!”. Porém, seus companheiros haviam sido denunciados e apenas alguns puderam comparecer. Três foram mortos, mas o Barão de Batz conseguiu escapar. O rei Luís XVI não percebeu nada.

Quando a lâmina da guilhotina caiu, uma salva de artilharia anunciou a morte do rei. O carrasco mostrou a cabeça de Luís XVI para o povo reunido na praça que gritava “Viva a Nação! Viva a República!”.  Seguiu-se uma histeria coletiva: alguns indivíduos conseguiram romper o cordão de isolamento dos guardas nacionais e entraram debaixo do cadafalso para molhar seus lenços no “sangue real” – que acreditavam trazer sorte.  Soldados molharam seus sabres na poça de sangue. Um homem lambuzou os braços no sangue e o aspergiu na direção da multidão, que vibrava de forma incontrolada. O carrasco vendeu mechas do cabelo ensanguentado do rei e também fragmentos de suas roupas.

Fonte

  • SOBOUL, Albert. A Revolução Francesa. Difel, 1985.
  • HOBSBAWN, Eric. A Revolução Francesa. Paz e Terra, 2008.
  • HOBSBAWN, Eric. A Era das Revoluções, 1789-1848. Paz e Terra, 2007.

Saiba mais

Abertura

  • Execução de Luis XVI, gravação alemã de Georg Heinrich Sieveking, 1793

 

 

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