Último e maior comício das “Diretas Já”, em São Paulo

16 de abril de 1984

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Em 16 de abril de 1984, realizou-se em São Paulo o último e o maior comício em favor das eleições diretas que reuniu 1,5 milhão de pessoas. Foi a maior manifestação popular pela democracia já vista no País. Na época, o Brasil estava sob o comando de militares em uma Ditadura que já durava 20 anos.

A campanha das Diretas Já, iniciada em 31 de março de 1983, mobilizou todo o país. Em 1983, foram organizados 6 comícios, em 1984, foram 35. O movimento lutava pela aprovação da Emenda Dante de Oliveira que propunha o fim das eleições indiretas impostas havia vinte anos pelo governo militar.

A Globo não noticiou as primeiras manifestações por decisão de Roberto Marinho. O presidente das Organizações Globo temia que uma ampla cobertura da televisão pudesse se tornar um fator de inquietação nacional. “Mas a paixão popular foi tamanha que resolvemos tratar o assunto em rede nacional”, afirmou ele em matéria publicada na revista Veja de 5 de setembro de 1984.

O primeiro comício a ser noticiado para todo o país (já tinham ocorrido, então, 12 comícios) foi o realizado na Praça da Sé, em São Paulo, no dia 25 de janeiro. Mas a matéria provocou polêmicas pois a Globo disse que se tratava da festa de aniversário da cidade que, de fato, acontece no dia 25 de janeiro.

O apresentador Marcos Hummel anunciou: “Festa em São Paulo. A cidade comemorou seus 430 anos com mais de 500 solenidades. A maior foi um comício na Praça da Sé.” Porém, a reportagem de Ernesto Paglia esclareceu que o objetivo da manifestação era pedir eleições diretas para presidente da República.

O comício de 16 de abril, o segundo realizado em São Paulo, começou com uma passeata saindo da Praça da Sé até o Vale do Anhangabaú, onde a população se concentrou para ouvir políticos e outras lideranças. A Orquestra Sinfônica de Campinas, sob o maestro Benito Juarez, abriu o comício com a Quinta Sinfonia de Beethoven. A Corporação Musical Artur Giambelli, de Limeira, tocou o “Cisne Branco”, hino da Marinha de Guerra.

Charge de Figueiredo

Coloca o pijama, Figueiredo! Charge de Aroeira retrata o espírito da época, fonte: CPDOC – FGV

No mesmo palanque estavam Luis Inácio Lula da Silva, Fernando Henrique Cardoso, Leonel Brizola, Miguel Arraes, Mário Covas, Franco Montoro (governador de São Paulo à época) e muitos outros. Do meio artístico, as atrizes Eva Wilma e Fernanda Montenegro, o cantor Walter Franco e a cantora símbolo da campanha das Diretas, Fafá de Belém e outros marcaram presença.

Às 20h30, no horário do final do comício, o presidente João Baptista Figueiredo surgia em rede nacional de TV para anunciar sua proposta: eleições diretas só mais tarde, em 1988.

A Emenda Dante de Oliveira foi rejeita pelo Congresso em 25 de abril de 1984, por falta de 22 votos. Precisando de 320 votos para ser aprovada, de um total de 479 congressistas, a emenda Dante de Oliveira recebeu 298 votos.

Na madrugada de 25 para 26 de abril, o presidente do Congresso, o senador Moacir Dalla (PDS-ES), anunciou que a emenda Dante de Oliveira não alcançara os indispensáveis 2/3 dos votos na Câmara dos Deputados, sendo assim rejeitada.

A sucessão do presidente Figueiredo foi feita por eleição indireta na qual foi eleito, em janeiro de 1985, Tancredo Neves.

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