Assassinato de Gandhi, o mártir da não violência

30 de janeiro de 1948

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Em 30 de janeiro de 1948, Mahatma Gandhi foi assassinado com três tiros, quando se dirigia para a oração diária, em Nova Delhi, na Índia. Ele estava com 79 anos de idade. Hindu e defensor da não violência, Gandhi foi morto por um hindu radical.

Gandhi ficou famoso internacionalmente pela sua política de desobediência civil e o uso do jejum como protesto. Por conta disso, teve a prisão decretada várias vezes. Sua iniciação na política começou após sofrer discriminação racial durante uma viagem de primeira classe em um trem. Quando pediram que fosse à terceira classe por ele não ser branco, Gandhi se recusou e foi jogado para fora do trem. Depois disso, iniciou sua luta contra a discriminação racial. Ele também participou do movimento pela independência da Índia. Uma de suas estratégias era o boicote aos produtos importados, como os tecidos ingleses.

Depois de uma vida inteira dedicada à emancipação da Índia, Gandhi teve a dor de ver seu país dilacerado em sangrentas guerras religiosas entre hindus e muçulmanos. Ele constantemente pediu a conciliação das duas comunidades, o que o levou a ser acusado de traição pelos fanáticos de sua comunidade.

Posicionou-se contra qualquer plano que dividisse a Índia em dois estados, o que efetivamente aconteceu, criando a Índia, predominantemente hindu, e o Paquistão, de maioria muçulmana.  Em um esforço para conseguir apaziguar hindus e muçulmanos, Gandhi inicia uma greve de fome no dia 13 de janeiro de 1948. O país entra em oração e a violência se acalma. No dia 20 daquele mês, ele sofreu um atentado a bomba, mas saiu ileso.

Entretanto, no dia 30, foi assassinado a tiros por Nathuram Godse, um hindu radical que responsabilizava Gandhi pelo enfraquecimento do novo governo indiano ao insistir no pagamento de certas dívidas ao Paquistão. Godse foi, depois, julgado, condenado e enforcado, a despeito do último pedido de Gandhi em perdoar e não punir seu assassino.

O corpo de Gandhi foi cremado e suas cinzas foram jogadas no rio Ganges.

Indicado cinco vezes para o Nobel da Paz, Gandhi nunca foi agraciado com o prêmio. Dez anos depois, a omissão foi lamentada pelo comitê organizador do Nobel. Quando o Dalai Lama foi premiado em 1988, o presidente do comitê disse que o prêmio era “em parte um tributo à memória de Mahatma Gandhi”.

Destacado por suas façanhas e sua maneira única de agir, Gandhi é considerado o ícone do AHIMSÁ (lê-se “arrimsá”) termo sânscrito que significa não violência. Trata-se de um código de ética da tradição hindu que vai muito além do simples não agredir fisicamente. Refere-se fundamentalmente ao respeito incondicional para com qualquer forma de vida e engloba, por exemplo, não agredir por palavras, atitudes e pensamentos.

Gandhi foi o maior defensor do Satyagraha (princípio da não agressão), uma forma de protesto sem violência como meio de resistência e revolução. O princípio da não violência inspirou gerações de ativistas democráticos e antiraciais, incluindo Martin Luther King e Nelson Mandela.

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Abertura

  • Corpo de Mahatma Gandhi durante ritual funerário, 1948.

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