“Alea iacta est”, Júlio César atravessa o Rubicão

10 de janeiro de 49 a.C

129
compartilhamentos

Em 10 de janeiro de 49 a.C., Júlio César, desafiando o Senado atravessou o rio Rubicão com a sua legião. Esse pequeno rio, no centro da Itália, separava a Gália Cisalpina, uma província romana, do território administrado diretamente pelos magistrados romanos, isto é, a cidade de Roma e o restante da península italiana. A lei de Roma proibia qualquer pessoa de atravessar este rio com um exército, a menos que expressamente autorizado pelo Senado.

Estela em Rimini, Itália, marca o suposto lugar onde César teria dito ao seu exército “Alea jacta est”. A localização do curso original do Rio Rubicão há muito tempo é objeto de polêmica entre historiadores e geógrafos.

A atitude de Júlio César violava a lei e lançava um desafio mortal ao Senado. A República romana estava então bastante enfraquecida. Nada restara do primeiro Triunvirato constituído dez anos antes por César, Pompeu e Crasso para pôr fim às guerras civis. Crasso estava morto, e a aliança entre Pompeu e César se desfez com a morte de Júlia, esposa de Pompeu e única filha de César. Sem mais o laço familiar que os unia, Pompeu e César transformam-se em inimigos disputando o poder.

Enquanto César lutava na Gália contra Vercingetórix, chefe gaulês, Pompeu, em Roma, realizava reformas legais e políticas que criavam dificuldades para César concorrer ao consulado depois do final de seu mandato na Gália. Diante dessa situação, César decidiu retornar a Roma para concorrer à eleição como consul. Porém, ele não tinha permissão para entrar em Roma com seu exército. O Rubicão era a fronteira entre a província da Gália e a Itália e, ao atravessá-lo, ele cometeu uma clara violação da lei e foi entendido como uma declaração de guerra.

Os opositores de César acreditaram que ele estava invadindo a Itália com todas as suas forças, e fugiram imediatamente. Pompeu ordenou que a capital romana fosse abandonada e rumou mais ao sul com suas legiões onde pretendia travar uma guerra contra César.

Uma verdadeira caçada teve início levando Pompeu a fugir para a Macedônia. O confronto definitivo ocorreu na Batalha de Farsalos, em 48 a.C., um confronto amargo para ambos os lados: Pompeu, apesar de seu exército mais numeroso, foi derrotado e fugiu com sua esposa e filho para o Egito. Segundo Plutarco, no momento que desembarcava na costa egípcia, Pompeu foi esfaqueado até a morte. Sua cabeça e seu sinete foram entregues a César, que lamentou este insulto à grandeza de seu antigo aliado e genro e puniu seus assassinos e conspiradores egípcios.

Discussão sobre as fontes

A travessia do Rubicão foi narrada por Suetônio, segundo o qual, no momento da travessia do rio, Júlio César teria dito em latim: Alea iacta est ou Alea jacta est (“O dado foi lançado”). Pultarco e Appiano também concordam com o fato de César ter dito uma frase ao atravessar o Rubicão. É bem provável que o general romano tivesse falado em grego, a língua das elites romanas da época: Anerrifthô Kubos (“É jogado o dado!”).

Interessante observar que, o próprio César, não menciona a frase em sua obra Commentarii de bello ciuli (“Os comentários sobre a guerra civil”) e sequer sobre a passagem do Rubicão, talvez para não se comprometer já que atravessava o rio ilegalmente.

A expressão Alea iacta est foi traduzida pelo senso comum como “A sorte está lançada” significando a tomada de decisão em uma situação arriscada que pode ter consequências irreversíveis, mas ainda não previsíveis.

Fonte

  • PLUTARCO. Alexandre e César. Vidas Paralelas. São Paulo: Escala, 2000.
  • SUETÔNIO. Vida dos Doze Césares. São Paulo: Martin Claret, 2012.
  • “Iacta alea est” y otras frases de César. Revista de Humanidades Sárasuati. 28 abr 2010.

Saiba mais

 

Compartilhe

Navegue pela História

Selecione o mês para conhecer os fatos históricos ocorridos ao longo do tempo.

Outros Artigos

Últimos posts do instagram

Fique por dentro das novidades

Insira seu e-mail abaixo para receber atualizações do blog: