A Primeira Cruzada conquista Jerusalém

15 de julho de 1099

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Em 15 de julho de 1099, os cavaleiros da Primeira Cruzada conquistaram Jerusalém atendendo o apelo feito pelo papa Urbano II quatro anos antes para libertar a Terra Santa do domínio muçulmano. A população da cidade, composta por muçulmanos, judeus e cristãos ortodoxos foi massacrada sem piedade.

A Primeira Cruzada, chamada de Cruzada dos Nobres, dos Cavaleiros ou dos Barões, era composta por cerca de 30.000-35.000 guerreiros, incluindo 5.000 cavaleiros cuja liderança era repartida e disputada por Raimundo IV de Toulouse, Boemundo de Taranto líder dos normandos do sul da Itália, Godofredo de Bulhão com um exército de Lorena, Flandres e Bolonha, Hugo I de Vermandois, irmão do rei da França, e Roberto II da Normandia.

Os diferentes grupos de cruzados se encontraram em Constantinopla onde chegaram com poucas provisões, aguardando a ajuda de Aleixo I, imperador bizantino. Diante daquela multidão armada, Aleixo fez um acordo com os cruzados: em troca de comida e suprimentos, exigiu que eles lhe jurassem lealdade e lhe entregasse todo território tomado dos turcos. Os cruzados, sem água e comida, aceitaram o juramento, embora o compromisso tenha provocado desconfianças e tensões entre os grupos.

O primeiro alvo de ataque foi Niceia, na Ásia Menor. Em 19 de junho de 1097, os cruzados se preparavam para atacar Niceia, quando a cidade se rendeu aos bizantinos, escapando do saque dos cruzados, para seu desapontamento. Além de proibidos de saquear, também foram proibidos de entrar na cidade, exceto em pequenos grupos e escoltados pelos soldados bizantinos.

Os cruzados seguiram em direção a Antióquia, uma grande cidade protegida por imponentes muralhas. Durante oito meses mantiveram a cidade sitiada e tiveram que lutar contra os exércitos de Damasco e de Aleppo. Os cavaleiros passaram por grandes dificuldades tendo sido forçados a comer até os próprios cavalos. Finalmente no dia 3 de junho de 1098, depois de subornar um sentinela para abrir as portas da cidade, entraram realizando o massacre dos habitantes muçulmanos.

cerco de Antioquia

Roberto II da Normandia no cerco de Antioquia, 1097-1098, pintura de Jean-Joseph Dassy, 1850

Passaram depois por Beirute, Tiro, Jafa, Belém e, no dia 7 de junho de 1099, chegaram a Jerusalém, acampando no exterior da cidade. O exército cristão ficara reduzido a cerca de 1.200 a 1.500 cavaleiros e 12.000 a 20.000 soldados de infantaria, carentes de armas e provisões. Além das mortes em combate, sofreram baixas pela fome e peste (provavelmente tifo).

Um padre chamado Pedro Desidério afirmou ter tido uma visão divina para a vitória dos cristãos: estes deveriam jejuar e depois marchar descalços em procissão ao redor das muralhas de Jerusalém; estas cairiam em nove dias, da mesma forma que as muralhas de Jericó relatadas na Bíblia. A procissão realizou-se no dia 8 de julho.

Nesse meio tempo, uma frota de Gênova desmontara os seus navios para construir torres de assalto com as quais foi possível ocupar partes das muralhas na noite do dia 14 de julho. Na manhã do dia 15, uma sexta-feira santa, os cruzados invadiram Jerusalém. Ao longo de todo dia e na manhã seguinte, massacraram a população – muçulmanos, judeus e cristãos ortodoxos. A estimativa do número de mortos varia entre 6.000 e 40.000. Segundo o arcebispo Guilherme de Tiro, os próprios vencedores ficaram horrorizados com o mar de sangue e corpos decepados.

Atrocidades dos cruzados

Atrocidades dos cruzados, século XIII, Biblioteca Nacional de França.

Jerusalém foi proclamada Reino Latino ficando sob o governo de Godofredo de Bulhão que aceitou o cargo de líder secular, mas recusou-se a ser coroado rei na cidade onde Cristo usara a coroa de espinhos. Seu título ficou sendo Protetor do Santo Sepulcro.

Formaram-se ainda três estados cruzados: condado de Edessa, Principado de Antioquia e Condado de Trípoli. Outras unidades cristãs no Oriente eram o Império Bizantino e o Reino Armênio da Cilícia.

Em 12 de agosto de 1099, teve lugar a última batalha da Primeira Cruzada em que foram derrotados os fatímidas. Depois disto, a maioria dos cruzados, voltou para a Europa, permanecendo apenas algumas centenas de cavaleiros no reino recém-formado.

Fonte

  • RUNCIMAN, Steven. História das Cruzadas. A primeira Cruzada e a fundação do reino de Jerusalém (v. 1). Rio de Janeiro: Imago.
  • RUNCIMAN, Steven. História das Cruzadas. O Reino de Jerusalém e o Oriente Franco, 1100-1187. Rio de Janeiro: Imago.
  • TATE, Georges. O Oriente das Cruzadas. São Paulo: Objetiva.
  • GALDINO, Luiz. As cruzadas. São Paulo: Quinteto (Coleção Vertentes).
  • MELLO, José Roberto. As Cruzadas. São Paulo: Ática, 1989. (Coleção Princípios).
  • FRANCO JR., Hilário. As Cruzadas. São Paulo: Brasiliense, 1982. (Coleção Tudo é História).
  • MAALOUF, Amin. As Cruzadas vistas pelos árabes. São Paulo: Brasiliense.
  • RILEY-SMITH, Jonathan. The Crusades. A short History.  Yale University, 1987.
  • MAYER, Hans Eberhard. The Crusades. Oxford, 2002.
  • WILLIAMS, Paul. O guia completo das cruzadas. São Paulo: Madras, 2007.

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