A “Marcha sobre Roma” do Partido Fascista de Mussolini

28 de outubro de 1922

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Em 28 de outubro de 1922, ocorreu a Marcha sobre Roma, uma manifestação armada organizada pelo Partido Nacional Fascista, liderado por Benito Mussolini. Dezenas de milhares “camisas negras”,  a milícia fascista, saíram de vários pontos da Itália em direção à capital italiana, reivindicando do rei Vitor Manuel III a liderança política e ameaçando, de outro modo, a tomada do poder pela força.

Marcha sobre Roma insere-se em um contexto de grave crise e questionamento do Estado liberal, cujas instituições não eram mais adequadas para garantir a ordem interna sublevada principalmente por fascistas, socialistas e comunistas. A crise começou pouco antes do final da Primeira Guerra Mundial (1914-1918), quando os rigores a que o povo foi submetido começaram a despertar um forte descontentamento.

Quando a guerra terminou, a Itália entrou em convulsão com ações armadas nas cidades e no campo, além de disputas violentas de partidos e grupos políticos.

O movimento fascista, fundado em 1919, mas inicialmente sem sucesso, ganhava adesões e se fortalecia pelo apoio recebido de comerciantes, empresários, industriais e grandes proprietários. Os fascistas de Mussolini em nome da “ordem social” enfrentavam os trabalhadores sublevados usando violência: expulsaram ocupantes de fábricas e os invasores de terras (latifúndios) destruindo as organizações do movimento operário e camponês. O governo italiano fazia vistas grossas à ação dos fascistas por conveniência para a manutenção da ordem.

A preparação da marcha

Entre 1921 e 1922, o movimento fascista se espalhou pelo país chegando a mais de 300 mil membros. Tornou-se o movimento de massa mais forte do estado liberal italiano. Mussolini, líder incontestável do fascismo, havia transformado seus esquadrões locais – Fasci di Combattimento – em um partido, o Partido Nacional Fascista.

A derrota decisiva dos socialistas, cujo partido sofria cisões internas, e a greve geral fracassada de julho/agosto de 1922 – desbaratada à força pelos fascistas nas grandes cidades – reforçaram a convicção de que um golpe de estado dificilmente sofreria resistência da Itália democrática.

No dia 24 de outubro de 1922, o Partido Nacional Fascista organizou em Nápoles, sul da Itália, um grande encontro dos “camisas negras” (milícia fascista). Naquela ocasião, Mussolini proclamou publicamente: “Ou eles nos darão o governo ou o derrubaremos em Roma“.

Encontro dos fascistas em Nápoles

Encontro dos fascistas em Nápoles, 24 de outubro de 1922. Mussolini, no centro (com uma faixa) fala os seus seguidores e simpatizantes.

Luigi Facta, o Primeiro Ministro, chegou a ser alertado, mas limitou-se a responder a famosa frase com a qual ele passará para a história: “Eu confio!“. Facta não acreditava nas intenções dos fascistas especialmente pelo fato da reunião de Nápoles ter terminado sem confrontos, violência e outras degenerações.

A marcha e seus desdobramentos

Na noite de 27 para 28 de outubro, logo após a meia-noite, o Primeiro Ministro foi acordado para ser informado de que as colunas fascistas haviam partido para Roma, nos trens que eles requisitaram e já haviam ocupado instituições e vias públicas (prefeituras, delegacias de polícia, escritórios públicos, estações de trem, telégrafos e estações de telefone etc.).

Facta chamou o gabinete e preparou o Decreto de Emergência que sugeria o estado de sítio o que permitiria ao exército atacar e deter os fascistas. Na manhã do dia 28, levou-o ao rei Victor Emmanuel III cuja assinatura era necessária para entrar em vigor.

O rei, contudo, recusou a assinar o decreto. As razões dessa decisão ainda são controversas. Especula-se que alguns conservadores teriam desaconselhado o rei a assinar o decreto porque esperavam a renúncia do impopular liberal Facta. Os altos oficiais do Exército e da Marinha, por sua vez, teriam alertado o rei que os fascistas eram numericamente muito superiores ao exército e, se o decreto fosse assinado, haveria uma guerra civil.

Seja como for, no dia 28 de outubro de 1922 ocorreram várias manifestações fascistas especialmente no norte da Itália. Mussolini viajou para Milão onde aguardou o desenrolar dos acontecimentos. No mesmo dia, o rei Victor Emmanuel III propôs a Mussolini um governo compartilhado com o Primeiro Ministro recém nomeado. Mussolini recusou dividir o poder.

No dia seguinte, o rei cedeu às exigências e nomeou Mussolini como Primeiro Ministro. Nessa mesma noite, Mussolini embarcou em um trem noturno para Roma chegando à capital às 11h30 do dia 30 de outubro de 1922.

Enquanto isso, os “camisas negras” estavam acampados na capital aguardando a chega de seu líder. Eles haviam mais que dobrado: de cerca de 30 mil no início da marcha, agora eram mais de 70 mil aos quais foram acrescentados simpatizantes romanos que já estavam lá.

Mascha sobre Roma

Fascistas marcham em direção à Roma passando pela Ponde Salario, a cerca de 6km ao norte da capital.

Mussolini assume o poder

Mussolini conversou por cerca de uma hora com o rei, prometendo formar um governo com personalidades não fascistas e membros de áreas políticas “populares”. À noite do dia 30, ele apresentou os nomes de seu governo composto por apenas três fascistas: Alberto de Stefani, Giovanni Giuriati e Aldo Oviglio, de orientação moderada.

No dia seguinte, 31 de outubro, às 10 horas, os ministros fizeram o juramento no Palácio Quirinal, então residência do rei. Seguiu-se um gigantesco desfile fascista em que os “camisas negras” desfilaram por mais de seis horas diante do rei enquanto nas ruas e bairros arredores de Roma ocorriam atos de violência contra seus adversários, com assassinatos e depredações de sedes de jornais socialistas.

Nos anos seguintes, especialmente a partir de 1925, os fascistas, com Mussolini à frente, estabeleceram uma ditadura totalitária, de partido único (Partido Nacional Fascista) em que os opositores foram perseguidos, presos e assassinados.

O fascismo fundado e moldado por Mussolini rapidamente se tornou um modelo em toda a Europa.

Mussolini governou a Itália até 1943 quando foi preso. Morreu fuzilado em 28 de abril de 1945 por guerrilheiros da Resistência Italiana.

Camisas negras no Quirinal

Milhares de “camisas negras” desfilam em frente ao Palácio Quirinal, residência real em Roma, saudando Mussolini, recém-nomeado Primeiro Ministro da Itália, 31 de outubro de 1922.

Fonte

Saiba mais

Abertura

  • Mussolini (de preto) ladeado por quatro militares fascistas frente da Marcha sobre Roma, 1922.

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