Autoavaliação: uma ferramenta importante para o professor

1 de outubro de 2015

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Estamos chegando ao término do ano letivo e às provas finais. Não é fácil avaliar e os resultados podem surpreender, de forma negativa, os pais e alunos. “Onde foi que eu errei?”, “estudei o dia inteiro e tirei essa nota?”-  são perguntas que se repetem na escola e em casa.

O processo de aprendizagem é lento e complexo. A prova tradicional nem sempre (ou quase nunca) fornece um quadro claro do desempenho do aluno para professor e, principalmente, para o próprio aluno. Para isso, uma ferramenta eficiente é a autoavaliação, uma sondagem que permite ao aluno refletir sobre o que estudou e como fez isso.

licao-de-casa-1Por meio de perguntas e respostas, escritas ou orais, o aluno faz uma incursão pessoal em seu percurso de aprendizagem tomando consciência de suas dificuldades ou mazelas. Consciente disso, ele pode rever seu processo de estudo. É a chamada autorregulação que também ajuda o professor a planejar intervenções em aula.

A autoavaliação permite ao aluno reconhecer as próprias falhas: “Preciso bagunçar menos”, “Tenho que ficar quieto e prestar atenção na aula”, “Vou fazer lição de casa sempre” – são comentários comuns durante esse procedimento. Parece que está tudo resolvido, mas não se iluda. Em uma semana, os alunos esquecem tudo o que disseram e retomam os antigos hábitos.

O esforço de mudar não é conquistado a curto prazo. É uma atitude que deve ser estimulada e lembrada a cada momento. A autoavaliação pode ajudar nisso desde que realizada com certa regularidade ao longo do ano, e não apenas no final do ano ou do semestre. A reflexão da aprendizagem deve ser constante.

Outro ponto importante, é estabelecer que aspecto será destacado na autoavaliação. Nada mais ineficiente e massacrante do que entregar ao aluno uma extensa ficha lotada de perguntas de todo tipo para ele responder. É transformar um momento de reflexão em uma exaustiva tarefa formal feita às pressas e sem pensar.

A autoavaliação deve privilegiar um aspecto por vez como procedimento, conteúdo, convivência social ou outro. Isso permite abordar o problema com a classe ou com o aluno em particular com a profundidade que ele exige. A reflexão e o debate mais focados ajudam o aluno (e o professor) a tomar consciência e corrigir as dificuldades.

É preciso, também, ficar atento à maneira de conduzir a autorreflexão para evitar cair em equívocos.

Os principais equívocos na autoavaliação são

  1. Fazer perguntas genéricas ou abertas demais. Questões como “O que você aprendeu nesse semestre?” e “Como avalia sua aprendizagem?” dão margem a respostas vagas. As perguntas devem ser específicas e objetivas. A ficha de autoavaliação pode fornecer algumas repostas padrão (por exemplo: sim, não, talvez, sempre, nunca) ou uma escala de valores (por exemplo, notas de 1 a 5) para o aluno assinalar. Isso facilita identificar problemas. Uma boa ideia, especialmente para alunos menores, é marcar as respostas com cores pré-definidas. Ao final, os alunos poderão ver claramente seus pontos fortes e fracos.
  2. Deixar o aluno dar a sua própria nota. É algo que nada acrescenta à aprendizagem e tende a enfatizar no aluno comportamentos extremos, da rigidez à condescendência. Ainda que seja adequado esclarecer os conceitos que justificam a nota, estabelecê-la é tarefa que cabe apenas ao professor. Além disso, o objetivo da autoavaliação não é dar nota ao aluno, mas ajudá-lo a assumir a responsabilidade pelo seu próprio aprendizado.
  3. Fazer a autoavaliação de “tudo junto e misturado”. Já foi dito sobre isso, mas não custa repetir. Querer que uma única autoavaliação dê conta de procedimentos, atitudes, conteúdo, convívio social, práticas de estudo etc. é massacrar o aluno com um volume absurdo de perguntas. Escolha que aspecto pretende estimular uma proveitosa reflexão do aluno.
  4. Dizer os resultados sem comentar. Não adianta arquivar tudo sem se deter no que foi observado pelos alunos. A autoavaliação serve como uma maneira de promover a autorregulação. O professor tem um papel essencial nesse processo, debatendo as reflexões de cada estudante e mostrando as dificuldades que passaram despercebidas. Tornar evidente, ao aluno, sobre o que e como aprendeu, onde precisa se dedicar mais, o que precisa mudar. Só assim possibilita ao aluno desenvolver sua autonomia e confiança.
  5. Deixar tudo para o fim do semestre ou do ano. Definir um único momento para o aluno pensar em toda a sua caminhada torna a reflexão mais superficial e, pior, desanimadora. “Agora não dá mais tempo de mudar”, pode ser a conclusão do aluno. É preciso identificar logo quais pontos têm de ser melhorados e abordá-los de maneira objetiva ao longo de todo o aprendizado.

Modelos de autoavaliação

licao_de_casa_menina_papelOs quadros abaixo são apenas sugestões. Cabe ao professor selecionar e formular as questões que julga mais adequadas à sua turma. 

Repare que há questões que podem dar pistas importantes sobre a ocorrência de bullying, se o aluno tem iniciativa, se pode contar com o apoio da família nos estudos e outros aspectos importantes para considerar em seu desempenho escolar.  

Pode ser interessante inserir um pequeno quadro de autoavaliação em toda prova variando as questões ao longo do ano.    

Sugestão de fichas de autoavalição – CLIQUE AQUI para o download em tamanho A4.

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Leandro Gonçalves Do Rosário
Leandro Gonçalves Do Rosário
5 anos atrás

Adorei! Vou compartilhar com os colegas!

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[…] FONTE: Ensinar História – Joelza Ester Domingues COMPARTILHAR Facebook Twitter […]

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