As 15 maiores epidemias e pandemias da história

17 de março de 2020

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A Organização Mundial da Saúde (OMS), declarou, em 11 de março de 2020, que a epidemia do Covid-19 que infectou centena de milhares de pessoas desde o final de dezembro, pode ser considerada uma pandemia.

A pandemia do Covid-19 está longe de ser a primeira na história. Os flagelos do passado que marcaram as sociedades ocorreram em contextos diferentes. Hoje, a medicina dispõe de medicamentos, vacinas e tratamentos eficientes além do trabalho incessante de laboratórios e pesquisadores em todo mundo. Apesar de todo esse esforço, o risco de infecção não desapareceu e ainda ronda a humanidade.

Epidemias e pandemias questionam uma sociedade inteira em suas representações, em sua capacidade de enfrentar uma ameaça infecciosa, de se relacionar socialmente, de manter sua fé religiosa e até na sua confiança nas ações políticas e nos diferentes meios de comunicação. Como lembra La Fontaine, referindo-se a uma epidemia, “nem todos morreram, mas todos foram atingidos”.

O coronavírus constitui um teste social e moral real para as democracias do mundo, especialmente em termos de mobilização e solidariedade.

Epidemia e pandemia, qual a diferença?

As duas palavras são de origem grega. Epidemia, originária de epi, que significa acima e demos, “povo”, é a rápida disseminação de uma doença contagiosa que atinge um grande número de pessoas em uma região.

Pandemia, de pan, que significa “todo” e demos, povo (povo inteiro), é uma epidemia que se propaga em uma grande área geográfica internacional afetando, portanto, uma parte da população mundial. Somente a OMS pode declarar uma pandemia.

As 15 maiores epidemias e pandemias da História

Da Antiguidade até os tempos de hoje, as epidemias e pandemias foram tão comuns na história da humanidade quanto as guerras e os conflitos políticos. Os registros mais antigos conhecidos são do século V a.C., de Atenas, por ocasião da Guerra do Peloponeso. Há numerosos casos de epidemias pouco conhecidos, com registros esparsos e superficiais, especialmente sobre as populações colonizadas pelos europeus, como é o caso da América e da África.

  1. A praga de Atenas, 429-326 a.C.
  2. Peste de Antonino, 165-180
  3.  Peste de Justiniano, 541-544
  4. Peste Negra, 1346-1353
  5. Epidemia de Cocoliztli, México, 1545-1548 e 1576-1580
  6. Grande Praga de Milão, 1629-1631
  7. A Grande Praga de Londres, 1664-1665
  8. Grande Praga de Marselha, 1720-1722
  9. Pandemia de cólera, século XIX
  10. Gripe Espanhola, 1918
  11. Gripe Asiática (vírus H2N2), 1956
  12. Gripe de Hong Kong (vírus H3N2), 1968-1970
  13.  AIDS (HIV), 1981 até hoje
  14. Surto do SARS, 2002-2004
  15. Epidemia de Ebola, 2007 e 2013-2016

1. A praga de Atenas, 429-326 a.C.

A Praga de Atenas

“A Praga de Atenas”, de Michiel Sweerts, c.1652-1654.

Ainda restam dúvidas sobre a verdadeira natureza dessa epidemia que atingiu Atenas: se foi tifo, febre tifoide (causada pela bactéria salmonela entérica), febre hemorrágica viral, varíola, sarampo ou peste bubônica. A doença apresentava sintomas como febre, inflamação dos olhos, pústulas e úlceras no corpo, sede extrema, diarreia, vômito, tosse e espirros.  Ela matou cerca de 25% da população, entre 70 mil e 75 mil pessoas (outras fontes falam em 100 mil vítimas), entre elas, Péricles, o célebre magistrado ateniense.

A praga teve sérios efeitos na sociedade de Atenas, resultando no desprezo às leis e às tradições religiosas; em resposta, as leis se tornaram mais rigorosas. Tucídides escreveu a respeito: “a catástrofe foi tão avassaladora que os homens, sem saber o que aconteceria ao lado deles, ficaram indiferentes a todas as leis”. A epidemia marcou o declínio da Era de Ouro de Atenas, o berço da democracia.

Até recentemente, muitos historiadores eram céticos quanto à existência ou a extensão da praga de Atenas até que uma escavação realizada em 1994-1995 confirmou a veracidade dos acontecimentos. Foi descoberta uma vala comum, do lado de fora do antigo cemitério de Kerameikos, em Atenas. No local havia 240 esqueletos, pelo menos dez deles de crianças, datados de 430-426 a.C., estavam amontoados sem camadas de terra entre eles. As evidências apontam para um enterro em massa, realizado em um ou dois dias.

A praga voltou mais duas vezes a Atenas, em 429 a.C. e no inverno de 427-426 a.C.  Apareceu na Sicília, entre os cartagineses, em 395 a.C. tendo sido relatada por Diodoro da Sicília. Em 81 d.C., a peste chegou a Roma e vitimou milhares de pessoas entre elas o imperador romano Tito.

2. Peste de Antonino, 165-180

A praga Antonina foi uma pandemia que atingiu o Império Romano de 165 a 180 d.C., no reinado de Marco Aurélio que acabou sendo vitimado por ela. Chamada também de praga de Galeno, nome do médico grego que a descreveu, ela teria sido trazida pelas tropas que retornavam de campanhas do Oriente Próximo. Os estudiosos suspeitam que tenha sido varíola ou sarampo.

Espalhou-se pela Gália e devastou as legiões romanas ao longo do rio Reno. Estima-se que tenha matado entre 5 e 10 milhões de pessoas.

3. Peste de Justiniano, 541-544

Batizada com o nome do imperador Justianiano (reinado de 527 a 565), foi uma pandemia que atingiu o Império Bizantino, especialmente sua capital, Constantinopla, e as cidades portuárias em todo mar Mediterrâneo. Alguns historiadores acreditam que a praga de Justiniano foi uma das pandemias mais mortais da história, resultando na morte de cerca de 25 a 50 milhões de pessoas somando todos seus surtos no Mediterrâneo Oriental (a praga retornou periodicamente até o século VIII).

Justiniano, o imperador na época do surto inicial, também contraiu a doença, mas sobreviveu.

Acredita-se que a epidemia começou no Egito, por volta do ano 540 e chegou à Constantinopla levada por navios de grãos onde matou cerca de 5.000 pessoas por dia. Seguindo as rotas comerciais do Mediterrâneo, a praga espalhou-se pela Síria, Palestina, Irã, assolou a Itália várias vezes, chegou à Grã-Bretanha e à Irlanda matando milhares de pessoas.

Em 2013, os pesquisadores confirmaram especulações anteriores de que a causa da Praga de Justiniano era a Yersinia pestis, a mesma bactéria responsável pela Peste Negra (1347–1351).

Após a última recorrência em 746-748, as pandemias na escala da Praga de Justiniano não apareceram novamente na Europa até a Peste Negra do século XIV.

Peste de Justiniano

No alto, São Sebastião implora a Jesus pela vida de um coveiro atingido pela Peste de Justiniano, de Josse Lieferinxe , c. 1497-1499.

 4. Peste Negra, 1346-1353

A mais famosa pandemia da Europa medieval, foi causada pela bactéria Yersinia pestis que cresce no sangue de ratos. É disseminada pelas pulgas do rato que picam as pessoas e pelo contágio entre seres humanos.

A bactéria atinge o sistema linfático e provoca o aparecimento de um abcesso inflamatório que era chamado de “bubão”, daí o nome “peste bubônica”. Se a bactéria não atingir a corrente sanguínea e o pulmão, o doente tem alguma chance de se curar.

Quando a bactéria atinge a corrente sanguínea, onde se múltipla com rapidez, o doente pode morrer em 14,5 horas, antes mesmo de aparecer um bubão. Se atingir a circulação sanguínea periférica e os vasos capilares, produz pequenas hemorragias sob a pele formando manchas escuras. Atingindo o pulmão, o doente expectora sangue e morre em menos de dois dias.

Os fatores de pressão da peste foram a guerra na Criméia e as rotas de comércio. A doença chegou a Constantinopla em maio de 1347 levada por uma frota genovesa. A cidade foi logo contaminada. A frota seguiu depois para Sicília, onde causou outro surto, e daí aportou em Marselha, no sul da França, em novembro de 1347. A doença rapidamente se espalhou pela Europa matando cerca de 20 a 25 milhões de pessoas.

Veja mais a respeito no artigo: Peste Negra: a epidemia que devastou a Europa medieval /

5. Epidemia de Cocoliztli, México, 1545-1548 e 1576-1580

Chamada pelos astecas de cocoliztli, (“doença” em nahuatl) foi uma epidemia caracterizada por febre alta e sangramento que atingiu a colônia de Nova Espanha, atual México no século XVI. Teve efeitos devastadores na demografia da região, principalmente para os povos nativos.

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Estudos recentes indicam que ela possa ter sido causada pela salmonela entérica, pelo menos o surto inicial. Pode ser sido também uma febre hemorrágica viral causada pelas condições de vida dos povos indígenas do México na sequência da conquista espanhola.

Houve 12 epidemias que foram identificadas como potencialmente de cocoliztli, sendo as maiores em 1520, 1545, 1576, 1736 e 1813. As epidemias de cocoliztli geralmente ocorreram dentro de dois anos após uma grande seca, enquanto outra doença chamada matlazahuatl aparece após a estação chuvosa. A epidemia em 1576 ocorreu após uma seca que se estendeu da Venezuela ao Canadá.

Outro fator da epidemia teriam sido as reduções (missões) onde os astecas foram forçados a morar muito próximos entre si e com os animais. Quer se trate de ratos, galinhas, porcos ou gado, os animais trazidos da Europa eram vetores potenciais de doenças desconhecidas na América. As secas prolongadas alteraram as condições sanitárias e os hábitos de higiene. Após as secas, a estação chuvosa provocou o aumento da população de ratos e camundongos, portadores da febre hemorrágica viral.

O surto de 1545-1548 matou entre 5 a 15 milhões de pessoas (80% da população) e o de 1576-1580, outras 2 a 2,5 milhões de pessoas (50% da população).

Uma questão polêmica a respeito das vítimas é se os surtos de cocoliztli atingiram preferencialmente os povos nativos, em oposição aos colonos europeus. A maioria dos relatos em primeira mão sobre o surto vem de informantes astecas, apavorados com a doença que desconheciam. Os espanhóis podem ter usado o medo indígena para mostrar a “superioridade” do Deus cristão e impor o cristianismo.

Os relatos de Bernardino de Sahagún, contradizem a aparente imunidade do colonizador: o frade franciscano identificou africanos escravizados e colonos espanhóis afetados pela doença, além dele próprio ter sido infectado.

Epidemia de Cocoliztli, México

Chamada pelos astecas de “cocoliztli”, (doença, em nahuatl) foi uma epidemia caracterizada por febre alta e sangramento, e que teve efeitos devastadores entre a população nativa do México, no século XVI.

6. Grande Praga de Milão, 1629-1631

A Grande Praga de Milão foi uma série de surtos de peste bubônica que atingiu as cidades do norte da Itália. Teria sido levada por soldados franceses e alemães após movimentos de tropas associadas à Guerra dos Trinta Anos (1618-1648). Tropas venezianas infectadas com a doença, espalharam a doença no norte e centro da Itália.

Em outubro de 1629, a praga atingiu Milão, o principal centro comercial da Lombardia. Embora a cidade tenha tomado medidas efetivas de saúde pública, incluindo quarentena, restrições à circulação de mercadoria e limitação do acesso de soldados alemães, a praga se disseminou.

O relaxamento das medidas de saúde durante o carnaval, provocou um grande surto em março de 1630, que foi seguido por uma terceira onda na primavera e no verão de 1631. No geral, Milão sofreu aproximadamente 60 mil mortes em uma população total de 130 mil.

A República de Veneza foi infectada em 1630-1631, vitimando 46 mil pessoas em uma população de 140 mil. Alguns historiadores acreditam que a drástica perda de vidas e seu impacto no comércio resultaram na queda de Veneza como uma potência comercial e política.

A epidemia atingiu, também, Gênova, Bolonha, Módena, Parma, Florença, Roma e Nápoles.  A forte queda da população urbana corrobora a hipótese de que as pragas do século XVII tiveram um papel fundamental no declínio das economias italianas.

Praga de Milão

A Grande Praga de Milão levou o governo a decretar a morte dos suspeitos de terem envenenado a cidade. Folheto da setença dada aos condenados, 1630

7. A Grande Praga de Londres, 1664-1665

Foi a última grande epidemia de peste bubônica a ocorrer na Inglaterra (as anteriores foram de 1603, 1625 e 1636).

A cidade era abastecida por navios que chegavam a Londres e pelas barcaças que percorriam o rio Tâmisa. O caminho da peste pode ter sido este. Acredita-se que foram navios vindos de Amsterdã e Hamburgo, onde ocorriam surtos da doença, que introduziram a peste em Londres.

A capital inglesa era, então, uma cidade superpovoada e com sérios problemas sanitários. Nas partes mais pobres da cidade, a higiene era impossível de manter nos cortiços e nos galpões superlotados. Não havia saneamento básico e ralos abertos corriam pelo centro das ruas sinuosas. As pedras eram escorregadias com esterco de animais e lixo jogado das casas, cheias de moscas no verão e inundadas de esgoto no inverno. O mau cheiro era avassalador e as pessoas passeavam com lenços fechando as narinas.

Em julho de 1665, a praga era galopante na cidade de Londres. Os ricos fugiram, incluindo o rei Carlos II, sua família e sua corte, que deixaram a cidade para Salisbury e daí para Oxford. Em dezoito meses, a Grande Praga matou cerca de 100 mil pessoas, quase um quarto da população de Londres.

Em 1666, outra catástrofe atingiu Londres: o Grande Incêndio que consumiu boa parte da cidade e arruinou comerciantes e proprietários. O fogo ajudou a erradicar a doença destruindo os bairros mais insalubres. O Parlamento votou a lei de reconstrução da cidade e melhorias foram feitas: ruas mais largas, construção de calçadas, eliminação das valetas de esgoto, construção de edifícios de pedra e tijolos, e proibição aos de madeira. A cidade tornou-se um espaço mais saudável para se viver e a população passou a ter maior senso de vida em comunidade.

Grande Praga de Londres

Recolhendo os mortos para enterrá-los durante a Grande Praga de Londres, 1665

8. Grande Praga de Marselha, 1720-1722

Marselha, no sul da França, é o principal porto francês de intercâmbio comercial com o Oriente. Foi nele que a Peste Negra entrou no século XIV e, quatro séculos depois, retornou trazida pelo navio mercante Grande Santo Antônio vindo de Sidon, no Líbano e depois de passar por Trípoli (Líbia) e Creta.

Ao aportar em Marselha, vários tripulantes, inclusive o cirurgião do navio, estavam mortos. O navio foi colocado de quarentena pelas autoridades portuárias. Contudo, poderosos comerciantes da cidade interessados na carga de seda e algodão do navio pressionaram as autoridades para levantar a quarentena.

Alguns dias depois, a doença eclodiu na cidade. Os hospitais ficaram rapidamente sobrecarregados e os moradores entraram em pânico, expulsando os doentes de suas casas e fora da cidade. O número de mortos superou os esforços da saúde pública da cidade e milhares de cadáveres ficaram espalhados e empilhados pela cidade.

As tentativas de impedir a propagação da peste incluíram a aplicação da pena de morte a quem tentasse sair da cidade. Para isso, foi construído, no campo, um muro (mur de la peste) de 2 m de altura e 70 cm de espessura, vigiado por guardas.

Em dois anos, a peste matou 100 mil pessoas, sendo metade na cidade de Marselha e outra metade nas cidades vizinhas. Foi a última epidemia de peste bubônica na Europa.

Grande Praga de Marselha

Restos das vítimas da Grande Praga de Marselha que haviam sido lançados em uma vala comum em 1720-1721, em Martigues, França

9. As 7 pandemias de cólera, século XIX

Entre 1816 e 1826, a cólera-morbo varreu a Ásia e a Europa. Esta foi a primeira de sete pandemias de cólera durante os séculos XIX e XX, com a sétima originada na Indonésia em 1961. Além disso houve muitos surtos de coléria, como o de 1991-1994 na América do Sul e mais recentemente o de 2016-2020, no Iêmen.

A primeira pandemia (1816-1826) começou em Calcutá, na Índia e se espalhou por todo o sudeste da Ásia até o Oriente Médio, leste da África e costa do Mediterrâneo. Matou centenas de milhares de pessoas incluindo soldados e funcionários britânicos – fato que atraiu a atenção europeia para a doença que, até então, era endêmica na região do rio Ganges.

Acredita-se que o movimento do exército e da marinha britânicos tenha contribuído para o alcance da pandemia, transportando a epidemia para o Nepal, Afeganistão, Indonésia, África, norte da China e Japão.

Primeira epidemia de colera

Distribuição da cólera durante a primeira epidemia, em 1816-1826.

A segunda pandemia de cólera (1829-1851) disseminou-se da Índia para a Ásia. Espalhou-se na Rússia durante a invasão de Moscou em 1830. Os soldados russos levaram a doença para a Polônia em fevereiro de 1831. Um relatório apontou 250 mil casos de cólera e 100 mil mortes na Rússia. A pandemia chegou à Grã-Bretanha em dezembro de 1831 transportada por passageiros de um navio do Báltico.

Em Londres, a doença matou 6.536 vítimas; em Paris, 20.000 morreram (de uma população de 650.000) chegando a 100 mil mortes em toda a França. Em 1832, a epidemia chegou ao Canadá (Quebec, Ontário e Nova Escócia) e aos Estados Unidos (Nova York e Detroit). Em meados daquele ano, 57 passageiros irlandeses de um trem a caminho da Filadélfia morreram durante a viagem.

A terceira pandemia de cólera (1852-1860) fez praticamente o mesmo percurso matando 1 milhão de pessoas só na Rússia. A comunidade médica acredita, então, que a cólera é uma doença exclusivamente humana, espalhada por diversos meios de viagem e transmitida através de águas mornas e alimentos contaminados por rios e águas contaminadas por fezes. A falta de tratamento das fezes humanas e a falta de tratamento da água potável facilitam muito a sua disseminação.

No final do século, particularmente entre 1879-1883, ocorreram grandes avanços científicos para o tratamento da cólera: a primeira imunização por Pasteur, o desenvolvimento da primeira vacina contra a cólera e a identificação da bactéria Vibrio cholerae por Filippo Pacini e Robert Koch.

10. A pandemia “Gripe Espanhola”, 1918-1920

Foi uma pandemia causada pelo vírus da gripe H1N1, invulgarmente mortal que infectou e matou milhões de pessoas em todo o mundo, especialmente adultos jovens, tornando-se uma das pandemias mais mortais da história da humanidade.

Discute-se ainda sobre a origem da pandemia. Os documentos oficiais e os relatórios epidemiológicos não são confiáveis. Durante a guerra, os chefes militares da Alemanha, Reino Unido, França e Estados Unidos esconderam ou minimizaram os relatos de doenças e mortalidade para manter o moral dos exércitos. A Espanha, contudo, neutra na guerra e sem motivos para manter o segredo militar, foi a primeira a mencionar publicamente a doença, até porque seu rei Afonso XIII contraiu a doença. Isso criou a falsa impressão da Espanha ter sido o centro disseminador dando origem ao apelido da pandemia “gripe espanhola”

Diferentes hipóteses foram feitas sobre o assunto, sendo as principais as que indicam como local de origem Kansas ou Boston, nos Estados Unidos, e bases militares britânicas e francesas para onde foram convocados 96 mil trabalhadores chineses.

As condições de guerra, como a desnutrição, acampamentos e hospitais superlotados e a falta de higiene contribuíram para a superinfecção bacteriana. Os modernos sistemas de transporte facilitaram a disseminação da doença por soldados, marinheiros e viajantes civis.

Uma estimativa de 1991 indica 25-39 milhões de pessoas mortas. Uma estimativa de 2005 calcula entre 50 milhões de mortos (menos de 3% da população global) e 100 milhões (mais de 5%). Seja como for, as mortes atingiram populações urbanas e rurais dos países desenvolvidos e até mesmo povos nativos como comunidades inteiras de inuítes no Alasca.

Em poucos meses, vírus H1N1 espalhou-se por vários países e continentes simultaneamente. No Brasil, cerca de 300 mil pessoas morreram, incluindo o presidente Rodrigues Alves, recém-eleito que sequer chegou a tomar posse.

Gripe Espanhola

Hospital no Kansas, Estados Unidos, durante a epidemia de “Gripe Espanhola” em 1918.

Os sintomas do H1N1 eram incomuns causando, inicialmente, muitos diagnósticos incorretos da gripe como dengue, cólera ou febre tifoide. Uma das complicações da gripe era a hemorragia das mucosas, especialmente do nariz, ouvido, estômago e intestino. A maioria das mortes, contudo, ocorreu por pneumonia bacteriana, uma infecção secundária comum associada à gripe.

Entre as vítimas famosas atingidas pela “gripe espanhola” estão: o presidente americano Woodrow Wilson, o poeta francês Guillaume Apollinaire e o escritor francês Edmond Rostand, o artista austríaco Egon Scheile e o economista e sociólogo alemão Marx Weber. E o avô do atual presidente, Donald Trump.

Quase um século depois, a gripe H1N1 voltou: foi a PANDEMIA DE GRIPE SUÍNA (2009-2010). Descrita pela primeira vez em abril de 2009, o vírus parecia ser uma nova cepa do H1N1, resultado de uma combinação tripla de vírus de aves, suínos e gripe humana. No total, 187 países registraram casos. Estima-se que contraíram a doença cerca de 700 milhões a 1,4 bilhões de pessoas, 11-21% da população global (de cerca de 6,8 bilhões). O fim da pandemia foi decretado pela OMS em agosto de 2010.

11. Gripe Asiática (vírus H2N2), 1957-1958

Foi a segunda pior pandemia do século XX, depois da “gripe espanhola” e a primeira para a qual existem registros detalhados disponíveis. O vírus H2N2 foi identificado pela primeira vez em uma província ao sul da China em 1956. Chegou a Cingapura em fevereiro de 1957, alcançou Hong Kong em abril, os Estados Unidos em junho e daí se espalhou para a Europa.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que 2 milhões de pessoas foram vítimas da gripe asiática. Uma vacina foi desenvolvida em 1957 para conter o surto da gripe.

Gripe Asiática

Pacientes em tratamento da gripe asiática em um Hospital da Suécia, foto de 1975.

12. Gripe de Hong Kong (vírus H3N2), 1968-1970

A cepa da gripe asiática evoluiu para o H3N2 que causou uma pandemia mais leve, a gripe de Hong Kong de 1968 a 1969.

O primeiro registro do surto em Hong Kong apareceu em 13 de julho de 1968 e, em alguns meses, matou 750 mil pessoas. Disseminou-se em extensos surtos no Vietnã e Cingapura. Em setembro de 1968, chegou à Índia, Filipinas, norte da Austrália e Europa. Nesse mesmo mês, o vírus H3N2 entrou na Califórnia levado pelas tropas americanas que retornavam da Guerra do Vietnã. Em 1969, chegou ao Japão, África e América.

A doença que pode infectar humanos, pássaros e mamíferos (especialmente porcos) provocou forte mobilização internacional, coordenada pela OMS. Estima-se que tenha matado 1 milhão de pessoas. Em novembro de 1968, foram desenvolvidas vacinas eficazes. Elas não impediram, contudo, novos surtos que ocorreram a partir de 2003, quase anuais, o último dos quais, ocorrido em 2018.

13. A pandemia do HIV / AIDS, 1981 até hoje

alerta: cinco casos de pneumocistose, uma doença extremamente rara, foram diagnosticados em Los Angeles. Em 1983, o vírus HIV (sigla em inglês para human immunodeficiency vírus, “virus da imunodeficiência humana”) foi descoberto e identificado como a causa da AIDS (sigla para acquired immunodeficiency syndrome, “síndrome da imunodeficiência adquirida”), nome dado à doença em julho de 1982.

A AIDS é uma doença infectocontagiosa que leva à perda progressiva da imunidade do corpo humano. O vírus HIV é transmitido através de relações sexuais sem o uso de preservativo (incluindo sexo anal), pelo contato com sangue infectado (transfusões de sangue, agulhas hipodérmicas) e de forma vertical, isto é, a mulher infectada para o filho durante a gravidez, parto ou amamentação. Não há certeza se o sexo oral é capaz de transmitir a doença, mas existem relatos de pessoas que se infectaram ao engolir esperma. não estava restrita à comunidade homossexual

O caso mais antigo e bem documentado de HIV em humanos remonta a 1959, em Kinshasa, capital da República Democrática do Congo República Democrática do Congo. Há evidência de que caçadores e vendedores de animais silvestres se infectaram com o SIV (vírus da imunodeficiência símia). Acredita-se que várias transmissões de pessoa para pessoa desse vírus, em rápida sucessão, permitiram que o vírus se adaptasse aos seres humanos transformando-se em HIV e, daí se espalhasse por toda a sociedade.

Uma outra hipótese afirma que práticas médicas inseguras na África após a Segunda Guerra Mundial, como a reutilização de seringas não esterilizadas durante programas de vacinação em massa, uso de antibióticos e de campanhas de tratamento antimalária, foram os vetores iniciais que permitiram que o vírus se espalhasse e se adaptasse aos seres humanos.

Um dos primeiros casos de AIDS entre famosos aconteceu com ator estadunidense Rock Hudson, diagnosticado em 1984, que morreu em outubro de 1982. O cantor britânico Freddie Mercury, vocalista da banda Queen, diagnosticado com HIV positivo em 1987, faleceu em novembro de 1991 de uma doença relacionada à AIDS. O tenista Arthur Ashe, heterossexual, foi contaminado por transfusões de sangue durante uma cirurgia cardíaca vindo a falecer em fevereiro de 1993.

O jogador de basquete Magic Johnson anunciou em 1991 que estava infectado. Desde então, tornou-se um porta-voz do sexo seguro e da prevenção contra o HIV. Ele criou a Fundação Magic Johnson, que busca auxiliar as pessoas no combate à doença.

No Brasil, entre os casos de AIDS mais famosos estão o do cantor Cazuza que, em 1988, assumiu em rede nacional que estava com AIDS e morreu em decorrência da doença em 1990; o cantor Renato Russo, ex-integrante da banda Legião Urbana, HIV positivo desde 1989, morreu em 1996 aos 36 anos; o sociólogo Herbert José de Sousa, conhecido como Betinho contraiu AIDS em 1986 em uma transfusão de sangue a que era obrigado a se submeter periodicamente devido à hemofilia, e veio a falecer em 1997; seu irmão, o cartunista Henrique se Souza Filho, conhecido como Henfil, também hemofílico, teve o mesmo destino, falecendo em 1988.

Desde a sua descoberta na década de 1980, a AIDS causou a morte de aproximadamente 30 milhões de pessoas (até 2009). Depois do pico em 2004, com 1,7 milhão de mortes, a doença reduziu o número de mortes para 1,2 milhão em 2010, e 770 mil em 2018 (dados da Unaids).

O número de infecções tem caído, mas ainda é preocupante, em 2018 foram registradas cerca de 1,7 milhão de novas infecções por HIV. Contudo, neste mesmo ano, havia 37,9 milhões de pessoas portadoras de HIV sendo que 20% delas (8,1 milhão) não sabiam que estavam vivendo com o vírus (dados da Unaids).

Apesar de ainda não existir uma cura definitiva ou uma vacina, o tratamento antirretroviral pode retardar o desenvolvimento da doença e elevar a expectativa de vida do portador do vírus. O medicamento, contudo, é de alto custo provoca diversos efeitos colaterais.

O uso da camisinha nas relações sexuais é a forma mais eficaz de prevenção da aids. Também é imprescindível usar somente seringas descartáveis. Gestantes devem obrigatoriamente fazer o teste de HIV durante o pré-natal.

14. Epidemia de Ebola, 2007 e 2013-2016

A doença do vírus Ebola, também conhecida como febre hemorrágica do Ebola. Acredita-se que os morcegos sejam os portadores, capaz de espalhar o vírus sem serem afetados por eles. O vírus se propaga através do contato direto com fluídos corporais como saliva, excremento e sangue de humanos infectados ou outros animais. Os sintomas começam entre dois dias e três semanas após a contaminação: febre, dor de garganta, dor muscular, dores de cabeça, vômitos, diarreia, erupção cutânea, sangramento interno e externo.

A doença tem um alto risco de morte, matando em média 50% dos infectados e, geralmente, ocorre entre 6 a 16 dias após o aparecimento dos sintomas.

A doença foi identificada pela primeira vez em 1976, em dois surtos simultâneos: um em Nzara, cidade ao sul do Sudão, e outro em Yambuku (República Democrática do Congo), uma vila perto do rio Ebola, do qual a doença leva o nome.

Os surtos de Ebola ocorrem intermitentemente nas regiões tropicais da África Subsaariana. Entre 1976 e 2013, a Organização Mundial da Saúde registrou 24 surtos envolvendo 2.387 casos com 1590 mortes. O maior surto até o momento foi a epidemia da África Ocidental, entre dezembro de 2013 e janeiro de 2016, com 28.646 casos e 11.323 óbitos. Novos surtos ocorreram em 2016, 2017, 2018 e 2019 – ano em que a Organização Mundial da Saúde declarou o surto de Ebola no Congo uma emergência mundial de saúde.

15. Pandemia de Coronavírus SARS, 2002-2004

Países infectados pela SARS em 2001-2003: em preto, países com mortes confirmadas; em vermelho, países com infecções confirmadas; em cinza, países sem casos confirmados.

O surto de SARS (sigla em inglês de síndrome respiratória aguda) de 2002-2004 teve origem na província de Guangdong, na China, na fronteira com Hong Kong, em novembro de 2002. Um agricultor internado no Hospital Memorial Sun Yat-sen, em Guangzhou, infectou 30 enfermeiros e médicos. O Dr. Liu Jianlum, médico que tratou do paciente, ainda desconhecendo a doença, participou de uma festa de casamento em família e viajou para Hong Kong onde chegou doente e foi hospitalizado. Ele morreu na UTI em 4 de março de 2003. O vírus logo se espalhou para hospitais próximos.

Inicialmente, o governo chinês desencorajou a imprensa de noticiar a SARS, atrasou a comunicação à Organização Mundial de Saúde, e nem forneceu informações aos chineses.

A doença começou a se espalhar rapidamente nos países vizinhos. Em 12 de março de 2003, a Organização Mundial da Saúde, emitiu um alerta global sobre uma nova doença infecciosa de origem desconhecida no Vietnã e Hong Kong. Três dias depois, outro alerta, sobre uma pneumonia misteriosa chamada SARS em Cingapura e Canadá.

Em 15 de março, a OMS emitiu um alerta de saúde global aumentado sobre uma pneumonia misteriosa com uma definição de caso de SARS após a identificação de casos em Cingapura e Canadá. A partir de então, a situação evoluiu rapidamente com medidas radicais: isolamento e quarentena de doentes, fechamento de escolas, lojas, agências bancárias, restaurantes, mercados, bares, universidades etc.

A SARS é causada pelo coronavírus SARS-CoV, identificado pelo médico e microbiologista italiano Carlo Urbani, da organização Médicos Sem Fronteira. Ele mesmo contraiu a doença vindo a falecer em 29 de março de 2003, após dezenove dias de isolamento. Antes de morrer, ele pediu aos médicos que vieram da Alemanha e da Austrália para coletarem os tecidos de seus pulmões e usá-los para pesquisas.

A pandemia atingiu além da China, Hong Kong, Taiwan, Cingapura, Vietnã, Filipinas, Canadá, Estados Unidos e, com menor incidência Alemanha, França, Suécia, Reino Unido, Itália, Suíça, Austrália e Nova Zelândia.

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