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As 10 guerras mais insólitas da História

5 de fevereiro de 2018

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As guerras fazem parte da história desde os inícios da humanidade. Tribos, facções, cidades e países entram em conflito armado por múltiplas razões. Porém, independentemente das causas, a guerra sempre envolve uma conquista: de poder, terras, recursos naturais, captura de escravos, interesses comerciais, imposição de uma fé ou expansão do território.  Por isso, Sun Tzu, em seu tratado “A arte da guerra” (século IV a.C.), alerta que “todas as guerras são de conquista”.

Há, contudo, guerras e batalhas provocadas por razões inusitadas, esdrúxulas, com desfechos fora do comum que as classificam, do ponto de vista histórico, inúteis. Houve, até mesmo, guerras sem declaração de guerra! Listamos alguns dos conflitos mais insólitos da História.

 1. A Guerra do Balde (Modena x Bolonha, 1325)

Guerra do balde

O balde pivô da guerra (reprodução) está exposto no interior da Torre Ghirlandina, no Duomo de Módena.

A rivalidade entre as cidades italianas Módena e Bolonha é conhecida hoje no futebol, na indústria automobilística (ambas se consideram a cidade-mãe dos motores Maserati, Lamborghini e Ferrari) e até na culinária disputando quem inventou a lasanha e o tortelini (mas Bolonha não abre mão de ser a inventora do molho à bolonhesa).

As raízes dessa rivalidade remontam ao século XII na luta pelo poder entre gibelinos (Módena) e guelfos (Bolonha).  Os conflitos se intensificaram levando à guerra travada em 1325. Em 15 de novembro daquele ano, o exército de Bolonha com 30.000 soldados de infantaria e 2500 cavaleiros lutaram contra as forças de Módena compostas por 5000 homens de infantaria e 2800 cavaleiros.

Embora numericamente inferior, Módena derrotou os bolonheses na batalha de Zappolino, onde perderam a vida cerca de 2000 homens. O episódio deu origem à história do balde de carvalho.

Conta-se que a guerra começou quando os soldados de Modena invadiram Bologna e roubaram da cidade um balde de carvalho. Ultrajada, Bolonha declarou guerra à Modena para recuperar o objeto. Para muitos, o episódio é uma lenda que ganhou popularidade com o poema “La secchia rapita” do poeta modenense Alessandro Tassoni (1565-1635).

De qualquer forma, dois meses depois da sangrenta batalha, a paz foi assinada entre as duas partes e todas as terras e castelos tomados foram devolvidos. A guerra, portanto, fora totalmente inútil. Quanto ao balde, ele não foi devolvido e continua, até hoje na Torre do Sino do Duomo de Módena.

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2. Guerra dos 335 anos (Países Baixos x Ilhas Scilly, 1651-1986)

Foi a guerra mais longa da história e também a que produziu menos danos por não ter havido um disparo sequer.

A guerra remonta à época de Oliver Cromwell, entre os parlamentaristas e os defensores da realeza. Praticamente derrotados, os realistas fugiram para as ilhas Scilly, um pequeno arquipélago no extremo sudoeste da Grã-Bretanha.

Cromwell declarou guerra às ilhas Scilly (1651).  Os Países Baixos, por sua vez, apoiavam as forças de Cromwell, já que os britânicos ajudaram na sua independência contra a Espanha. Enviaram sua frota de guerra para as ilhas para lutar ao lado da marinha de Cromwell. Encurralados, os realistas realizavam atos de pirataria e atacavam navios da marinha holandesa o que levou os Países Baixos a declararem guerra às ilhas Scilly.

Guerra dos 335 anos

As Ilhas Scilly é um arquipélago no extremo sudoeste da Grã-Bretanha, com área total de 16 km² (menor que Fernão de Noronha, com 26 km²) e cerca de 2.500 habitantes.

Pouco depois da declaração de guerra, em junho de 1651, houve a rendição dos realistas. A frota neerlandesa deixou a zona sem disparar um só tiro, mas também sem formalizar a paz.

Em 1985, Roy Duncan, historiador e presidente do Conselho das Ilhas Scilly convidou o embaixador neerlandês, em Londres, a visitar as ilhas e assinar um tratado de paz. E assim, 335 anos após a “guerra”, a paz foi declarada em 17 de abril de 1986.

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3. A Guerra da Orelha de Jenkins (Grã-Bretanha x Espanha, 1739-1742)

A “Guerra da Orelha de Jenkins”, chamada pela historiografia espanhola como Guerra del Asiento, colocou em confronto aberto a Espanha e a Grã-Bretanha, detentoras, então, das mais poderosas marinhas de guerra do mundo.

A relação entre as duas nações eram tensas. O Tratado de Utrecht (1713) havia garantido aos britânicos um asiento de trinta anos, isto é, o direito de fornecer um número ilimitado de escravos às colônias espanholas e 500 toneladas de mercadorias por ano. O asiento abriu as portas da América Espanhola não só aos comerciantes mas também aos contrabandistas britânicos.

O Tratado de Sevilha, de 1729, tentou corrigir os abusos. Pelo tratado, a Grã-Bretanha concedeu à Espanha o “direito de visita”, isto é, o direito da marinha espanhola inspecionar os navios britânicos e confiscar a carga sob suspeita de contrabando.  Foi nesse contexto que ocorreu o inusitado caso da orelha de Jenkins.

Em 1731, Robert Jenkins, capitão de um navio britânico, foi abordado, na costa da Flórida, pela guarda costeira espanhola. Acusando o capitão britânico de contrabando, o comandante espanhol Juan de León Fandiño amarrou-o no mastro do navio e cortou sua orelha, alertando-o: “Vá e diga ao seu rei que eu farei o mesmo se ele se atrever!”.

Jenkins tentou convencer o Parlamento de sua história, mas não teve sucesso. Até que, oito anos depois, políticos da oposição o convocaram para prestar novo depoimento perante um comitê da Câmara dos Comuns. O depoimento foi convincente com Jenkins exibindo sua orelha conservada em um frasco de pepino!

Guerra da Orelha de Jenkins

Robert Jenkins mostra sua orelha decepada ao primeiro ministro britânico Robert-Walpole.

A orelha cortada de Jenkins serviu de pretexto para a poderosa British South Sea Company estimular a indignação da população britânica contra a Espanha, apostando que uma guerra vitoriosa abriria, de uma vez, o lucrativo mercado do Caribe.

O parlamento britânico exigiu represálias contra a Espanha e a guerra foi declarada em 23 de outubro de 1739. Os combates se estenderam pela região do Caribe espanhol. Os portos espanhóis na América – Portobelo (no Panamá atual), Cartagena (Colômbia), San Agostín (Flórida) e Santiago de Cuba (Cuba) – foram duramente bombardeados pela marinha britânica.

Os britânicos reuniram, na Jamaica, uma das maiores frotas de guerra com 186 navios, 2.620 peças de artilharia e mais de 27.000 homens. Contaram ainda com o auxílio de 4.000 soldados da Virgínia (Regimento Oglethorpe), o primeiro regimento de tropas americanas colonias a lutar em uma guerra externa. A eles se juntaram 1.000 escravos jamaicanos.

As hostilidades cessaram em 1742, mas a paz só foi formalizada em 1748 pelo Tratado de Aix-la-Chapelle. A Espanha saiu-se vitoriosa: seu império no Caribe permaneceu intacto (até a captura britânica de Havana em 1762) e ela sofreu a perda de 4.500 homens e 186 navios. A Grã-Bretanha perdeu 20.000 homens e 407 navios.  Tudo por causa de uma orelha e uma ambição comercial desmedida.

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4. A Guerra de Aroostoock (Estados Unidos x Reino Unido, 1838)

Guerra de Aroostook

Reconstrução de uma instalação militar erguida pelo Exército dos Estados Unidos, em abril de 1839, em Aroostook no Maine.

A origem deste confronto foi o não reconhecimento da fronteira entre as colónias britânicas (hoje o Canadá) e os Estados Unidos, em particular a fronteira entre o estado do Maine e a província canadense de Nova Brunswick, no vale do rio Aroostook.

Lenhadores de ambos países entravam nessa região para cortar madeira e eram aprisionados por patrulhas inglesas ou americanas considerados como “intrusos”. Em 1838, a situação ficou mais tensa quando tropas dos Estados Unidos e do Reino Unido foram enviadas para a região tornando o clima de guerra iminente.

Durante um ano as tropas ficaram a postos aguardando decisão de seus governos incluindo a declaração de guerra, o que nunca aconteceu. Somente em 1842, com a assinatura do Webster-Ashburton a fronteira foi fixada de modo a repartir as terras disputadas entre os dois países.

Acabou a guerra que nem chegou a acontecer de fato. Mas mesmo sem combates, a guerra de Aroostoock teve centenas de mortes por conta de doenças e acidentes na região.

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5. A Guerra do Porco (Estados Unidos x Reino Unido, 1859)

Guerra do Porco

A morte de um porco na fronteira entre Estados Unidos e as colônias britânicas (atual Canadá) deslocou tropas e navios de guerra para a região colocando as duas nações em pé de guerra.

Outra guerra de fronteira entre americanos e ingleses, desta vez disputando a Ilha de San Juan, na costa do Pacífico, entre Vancouver (no Canadá atual) e Seattle (nos Estados Unidos).

Em 15 de junho de 1859, um fazendeiro americano, na ilha de San Juan, atirou e matou um porco em seu jardim. O porco era de propriedade de um criador irlandês. Conta-se que o americano disse ao irlandês: “Mantenha seus porcos fora das minhas batatas!”O irlandês respondeu: “Mantenha suas batatas fora dos meus porcos!” Em defesa do irlandês, as autoridades britânicas ameaçaram prender o fazendeiro americanos o que levou os colonos americanos pedirem proteção militar.

Soldados americanos da 9ª Infantaria do Oregon foram enviados à Ilha de San Juan. Em represália, as autoridades britânicas enviaram três navios de guerra com 2.140 homens. Os americanos aumentaram seu contingente mandando mais 461 soldados e 14 canhões. A guerra era iminente, mas nenhum tiro foi disparado.

Em setembro, o presidente dos Estados Unidos, James Buchanan enviou um general para negociar com o governador e pôr um fim ao conflito. Ambos os lados concordaram em manter a ocupação militar conjunta da ilha – os britânicos no extremo norte e os americanos no extremo sul – com a redução de sua presença a uma força simbólica.

A situação manteve-se inalterada nos doze anos seguintes. Somente em 1872, com arbitragem do Kaiser Guilherme I, da Alemanha, a fronteira foi definida em favor da ilha de San Juan para os Estados Unidos.

Terminava a “Guerra do Porco” em que a única vítima foi um porco.

Fonte

  • COLEMAN, E. C. The Pig War: The Most Perfect War in History. The History Press, 2009

6. A Guerra de Líjar (Espanha) contra a França (1883-1983)

Guerra de Lijar

Vista aérea de Líjar, cidadezinha espanhola de 28 km2, na província de Almería, na Andaluzia. Sua população pouco mudou desde a “guerra” contra a França. Em 2016, contava com 411 habitantes.

Em 1883, durante um banquete em Berlim, Bismark fez um discurso em que mencionou a guerra franco-prussiana de 1870 e deu a entender que a Alemanha contava com o apoio da Espanha no caso de uma nova guerra contra a França. Em sinal disso, Bismarck elegeu o rei espanhol, Alfonso XII, presente no evento, general honorário das forças prussianas estabelecidas na Alsácia, território francês perdido durante aquela guerra.

Em seu regresso para a Espanha, o rei Alfonso XII passou por Paris vestindo seu uniforme prussiano. Logo foi cercado pelos cidadãos franceses que o insultaram, lançaram pedras e outros objetos contra ele.

Diante de tamanho ultraje, o prefeito de Líjar, Dom Miguel Garcia Saez e todos os 300 habitantes da vila declararam guerra à França, em 14 de outubro de 1883.

O prefeito espanhol justificou sua decisão:

(…) Por el Presidente se hizo saber al Ayuntamiento, que al pasar por la Ciudad de París, el Rey D. Alfonso (…) fue insultado, apedreado y cobardemente ofendido por turbas miserables, pertenecientes a la Nación Francesa.

Que el más insignificante Pueblo de la Sierra de los Filabres, debe de protestar en contra de semejante atentado, y hacer presente, recordar y publicar, que solamente una mujer vieja y achacosa, pero hija de España, degolló por si sola treinta franceses que se albergaron, cuando la invasión del año ocho en su casa. Que este ejemplo solo, es muy bastante para que sepan los habitantes del Territorio Frances, que el pueblo de Líjar, que se compone únicamente de trescientos vecinos y seiscientos hombres útiles, está dispuesto a declararle guerra a toda la Francia, computando por cada diez mil franceses un habitante de esta villa (…) para hacer desaparecer del mapa de los Continentes a la Cobarde Nación Francesa.

El Ayuntamiento tomando en consideración lo expuesto declararle Guerra a la Nación Francesa, dirigiendo comunicado en forma debida directamente al Presidente de la República Francesa, anunciando previamente al Gobierno de España esta Resolución.”

Por sua coragem e audácia, o prefeito de Líjar, Dom Miguel Garcia Saez foi aclamado o “Terror das Sierras”. Contudo, nenhum confronto aconteceu e nenhum tiro foi disparado. Mas o estado de guerra durou cem anos!

Noventa e três anos depois, em 1976, o rei espanhol Juan-Carlos fez uma viajem à Paris, durante a qual foi bem tratado pelos habitantes da capital. Em 1981, o prefeito de Lijar comentou que “levando-se em conta a excelente atitude dos franceses”, eles iriam cessar as hostilidades contra a França.

Em 1983, foi assinada a paz entre Líjar e França, depois de cem anos de uma guerra incruenta.

 7. A Guerra do Cachorro Fujão (Grécia x Bulgária, 1925)

Guerra do cachorro fujão

Fronteiras entre países hostis são áreas de guerra iminente que pode ser provocada até por um cachorro fujão.

Desde o início do século XX, as relações entre a Grécia e a Bulgária estavam tensas levando à Segunda Guerra dos Balcãs, de 1913. Na Primeira Guerra Mundial (1914-1918), os dois países novamente se enfrentaram lutando em lados opostos: A Bulgária aliou-se à Alemanha, Áustria-Hungria e Império Otomano, enquanto a Grécia, lutou ao lado do Império Britânico. A Grécia chegou a ser invadida por tropas alemãs e búlgaras.

Terminada a Primeira Guerra, a Grécia foi recompensada com Trácia Ocidental cedida pela Bulgária que perdeu, assim o acesso ao Mar Egeu (Tratado de Neuilly-sur-Seine, 1919)

Como resultado, aumentaram as tensões entre os dois países. Grupos radicais búlgaros passaram a organizar escaramuças nas fronteiras. Um desses grupos controlava Petrich, cidade no sudoeste da Bulgária na fronteira com a Grécia. Foi nessa região que ocorreu o incidente que serviu de pretexto para a guerra grego-búlgara.

Em 19 de outubro de 1925, um soldado grego correu atrás de seu cachorro que havia cruzado a fronteira, em Petrich. Uma sentinela búlgara atirou contra o soldado grego. O governo da Búlgara, percebendo o risco do caso, expressou seu pesar pelo incidente explicando que o disparou foi devido a um mal-entendido. Não adiantou. A Grécia declarou guerra e invadiu Petrich.

A área foi dominada em pouco tempo. A Bulgária apelou à Liga das Nações para intervir no litígio. A Liga ordenou o cessar-fogo imediato, a retirada das tropas gregas e o pagamento de uma indenização de 45000 libras à Bulgária.

Em dez dias o caso foi resolvido, mas ninguém sabe de que lado ficou o cachorro invasor.

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8. A Guerra aos Emus (Austrália, 1932)

Guerra aos Emus

O emu (Dromaius novaehollandiae, “corredor da nova Holanda”, em latim) é a maior ave nativa da Austrália e a segunda maior depois do avestruz. Não voa, mas que pode correr a 50 km/h. Em 1932, o governo australiano declarou guerra aos emus.

A população dos emus estava crescendo fora de controle, chegando a quase 20 mil aves correndo pelo deserto e causando danos às plantações. Em resposta, o governo australiano declarou guerra aos emus.

No início da manhã de 2 de novembro de 1932, a sétima bateria pesada da Real Artilharia australiana tomou posição com metralhadoras e 10 mil balas de munição. Avistaram um bando de 50 aves e o major G. P. W. Meredith ordenou que abrissem fogo contra elas. Até o final do dia, apenas uma dúzia de pássaros estavam mortos entre os milhares que os soldados haviam avistados.

O que parecia fácil mostrou-se bem complicado. Os adversários eram astutos e muito resistentes, mesmo feridos eles continuavam correndo. Nem uma metralhadora instalada em um veículo conseguiu acompanhar os pássaros. O major Meredith chegou a afirmar: “Se tivéssemos uma divisão militar com a resistência desses pássaros enfrentaríamos qualquer exército do mundo. Eles enfrentam metralhadoras com a invulnerabilidade dos tanques”. As 10 mil balas só conseguiram abater uns 2 mil emus.

Depois de uma semana, o major Meredith rendeu-se. O parlamento australiano ironizou o caso respondendo que os emus deveriam receber condecorações e honras militares.

A população de emus na Austrália permanece estável até hoje. Felizmente, eles não parecem interessados em retomar as hostilidades com o governo australiano.

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9. A Guerra do Futebol (El Salvador x Honduras, 1969)

Guerra do Futebol

A Guerra do Futebol teve por pretexto os resultados dos jogos entre El Salvador e Honduras. Mas as causas das hostilidades eram anteriores.

As tensões entre El Salvador e Honduras, países fronteiriços da América Central, aumentaram no início de 1969 devido à reforma agrária hondurenha que expulsou imigrantes salvadorenhos das terras do país para redistribuí-las a cidadãos hondurenhos. Sob este clima hostil, os dois países disputaram uma vaga nas eliminatórias para a Copa do Mundo do México, em 1970.

Em 8 de junho de 1969, a equipe de El Salvador joga em Honduras, a primeira das duas partidas agendadas entre as seleções. O jogo transcorreu sob enorme pressão, com a torcida local ofendendo os salvadorenhos. Nos minutos finais, a seleção de hondurenha fez o primeiro gol e o jogo terminou 1×0 para Honduras.

A indignação da população em El Salvador com o resultado da partida – e principalmente com o tratamento dispensado a seus atletas – foi enorme. E ela se preparou para a retaliação.

O segundo jogo foi em El Salvador e a torcida local recebeu os adversários com tamanha violência que a seleção hondurenha precisou de um veículo blindado para chegar ao estádio. A bandeira de Honduras foi queimada e seu hino desrespeitado. O jogo terminou em 3×0 para El Salvador e a vitória foi comemorada com a agressão e até mesmo a morte de torcedores hondurenhos.

Em Honduras, a milícia paramilitar “Mancha Brava” revidou cometendo atrocidades contra imigrantes salvadorenhos. O governo de El Salvador acusou os hondurenhos de genocídio na ONU. Os dois países fecharam as fronteiras e mobilizaram as suas tropas. Em 14 de julho o exército de El Salvador invadiu Honduras, iniciando uma guerra que durou cinco dias. A Organização dos Estados Americanos (OEA) negociou o cessar fogo que entrou em vigor em 20 de julho, e levou as tropas salvadorenhas abandonarem o território ocupado. Apesar de curta, a guerra deixou aproximadamente dois mil mortos, a maioria composta por civis.

No ano seguinte, El Salvador disputou a Copa do Mundo, no México, e não passou da primeira etapa, tendo disputado três partidas, sofrendo nove gols e não marcando nenhum. Honduras vibrou!

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10. Brindando com o inimigo: a Guerra Bêbada da Transnístria (1990-1992)

Guerra da Transnístria

Guerra da Transnístria: de dia metralhando o inimigo e de noite bebendo vodka com ele. Inacreditável, mas aconteceu!

A Guerra da Transnístria começou logo após o fim da União Soviética quando a Moldávia declarou sua independência e buscou se aproximar da Romênia por seus laços históricos. A Transnístria, um estreito território de 4000 km2 no extremo leste da Moldávia, cuja população é, em sua maioria, russa e ucraniana não aceitou fazer parte da grande Moldávia romena.

A Transnístria proclamou sua independência (1990) e logo policiais e tropas moldavas entraram em confronto com os rebeldes separatistas. A Transnístria recebeu reforços: 14 mil soldados russos e ucranianos, enquanto a Moldávia contou com armas e conselheiros militares romenos.

A guerra durou dois anos. Mas, o que a tornou muito estranha foi o fato de que os separatistas e as forças do governo, depois dos combates durante o dia, se reuniam à noite, em território neutro, para conversar e beber. Era uma espécie de Happy Hour, tão amigável que os soldados até faziam pactos de não atirarem um no outro, caso se vissem durante o conflito.

Um dos soldados escreveu em seu diário: “A guerra é como uma festa bizarra, durante o dia nós matamos o inimigo, e a noite bebemos com ele. Que coisa estranha é a guerra”. Daí o apelido de Guerra Bêbada para o conflito.

No início de 1992 foi assinado um cessar-fogo que tem sido respeitado. A Transnístria tornou-se uma república independente, com seu próprio governo, Exército, constituição, bandeira e moeda mas, internacionalmente, é reconhecida como parte da Moldávia. Um arranjo político estranho, consequência da Guerra Bêbada.

Fonte

  • Drinking with the enemy – opponents by day and boozed together by night in the Transnistria War.

 

 

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Eduino de Mattos
Eduino de Mattos
2 anos atrás

“as guerras como pano de fundo de interesses” TODOS OS CONFLITOS ATUAIS que estão acontecendo envolvendo PAÍSES COMO IRAQUE, ISRAEL, PALESTINA, SIRIA, TURQUIA,…(com “ajuda” dos USA, RÚSSIA, e outros) deve ser AVALIADA, DE QUAIS OS INTERESSES QUE PERMEIAM estes constantes conflitos, com mortes de Milhares de Pessoas da Sociedade Civil.

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