Antigas profissões: uma forma de introduzir o ensino de História aos alunos mais novos.

26 de maio de 2020

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A BNCC (Base Nacional Comum Curricular) introduziu o ensino de História nos primeiros anos do Fundamental trazendo temas para o 4º e 5º anos que, tradicionalmente, eram abordados pelo professor especialista no 6º ano como  noção de tempo histórico, o surgimento da espécie humana, processos migratórios, nomadismo, povos antigos etc..

Essa precocidade representa um grande desafio para o professor, seja pela subjetividade própria da História que lida com o tempo – o que se contrapõe com o pensamento concreto do estudante de 9-10 anos de idade – seja por ter diante de si crianças cada vez mais imediatistas que hipervalorizam o momento atual e o novo. Como falar do passado a quem só se interessa pelo presente? O desgastado (e discutível) discurso de que só podemos compreender o presente se conhecermos o passado não surte mais efeito. O estudante até memoriza a frase e a reproduz na avaliação, mas será que ele realmente desenvolveu uma consciência histórica que dê significado àquela afirmação?

Pensando nessas dificuldades propomos uma atividade que pode ser desenvolvida com estudantes do 3º, 4º, 5º e 6º anos tendo por tema profissões do passado usando fotos antigas como fonte histórica. São fotos de homens, mulheres e meninos em diferentes ofícios urbanos no Brasil do século XIX a meados do século XX. Buscamos uma grande diversidade de trabalhadores: assalariados, informais, ambulantes, funcionários públicos etc.

Selecionamos 24 ofícios tendo por critérios: ofícios que desapareceram, aqueles que se mantém quase inalterados, e outros que ainda existem, porém modernizados. Se o primeiro caso (ofícios extintos) é fácil identificar, os outros dois são mais complicados pois podem variar conforme a região, os conhecimentos prévios do aluno e sua experiência de vida. É neste ponto que reside a dinâmica e a possibilidade de interação da atividade: levar o estudante a identificar ofícios que ele pode ter visto, reconhecer algo que ouviu falar ou ser motivado a perguntar à família sobre aquele trabalho.

Dessa forma, a atividade lida com a memória popular relativa a diferentes ofícios procurando dar visibilidade àqueles que foram comuns entre trabalhadores pobres e das classes médias, alguns dos quais podem ser inseridos como patrimônio imaterial como é o caso, por exemplo, do fotógrafo de rua, o chamado “lambe-lambe”.

Limpador de trilho, entregador de leite e engraxate.

Aplicando a atividade em sala de aula

São 24 ofícios e eles estão distribuídos em seis páginas (portanto, quatro fotos por página). Não há legenda, pois um dos desafios lançados é o estudante identificar o que o trabalhador(a) está fazendo.

Imprima as páginas com as fotos e, se possível, plastifique as páginas. Você poderá utilizá-las em outras turmas.

Divida a classe em 6 grupos e distribua uma página para cada grupo. Os alunos devem dialogar entre si e trocarem suas impressões sobre cada foto buscando reconhecer o ofício que está sendo mostrado.

Lance perguntas “disparadoras” para uma primeira investigação:

  1. Qual é a função desse trabalhador? O que ele faz?
  2. Como se chama essa profissão?
  3. Essa profissão ainda existe?
  4. Se sim: Ela continua igual? Você conhece alguém que a exerça?
  5. Se não: Por que não existe mais? Ela pode voltar a existir?

As páginas com fotos podem ser trocadas entre os grupos de forma que toda a turma tenha acesso a todas as imagens.

O mesmo arquivo com as fotos traz uma breve descrição de cada ofício apresentado. Você pode usar essas informações durante a aula ou no encerramento da atividade.

Outra possibilidade, é distribuir as descrições aleatoriamente para cada grupo e pedir que relacionem a descrição com sua respectiva fotografia.

O arquivo de download tem 10 paginas sendo seis páginas de fotografias e quatro de descrição dos ofícios.

Para fazer o download das fotos e suas descrições, inscreva-se abaixo.

A atividade pode ser estendida e aprofundada cabendo o(a) professor(a) julgar se é pertinente, considerando o nível cognitivo da turma. Assim, por exemplo, tendo as imagens por referência, explorar outros temas que elas sugerem como:

  • Classificar ofícios por gênero (essa divisão do trabalho por sexo ainda existe nos dias de hoje?).
  • Refletir sobre o trabalho infantil considerando os riscos a que as crianças estavam expostas.
  • Avaliar o nível de escolaridade exigido para determinados ofícios e quem poderia exercê-los.
  • Refletir a quem pertenceria os meios de produção de cada ofício.
  • Relacionar ofícios do passado com outros semelhantes ou equivalentes da atualidade.

A atividade pode ser desdobrada em entrevistas com membros da família sobre essas e outras profissões, ou mesmo uma pesquisa de campo observando ofícios iguais ou semelhantes que existam no bairro ou na cidade. Os avós que viveram em cidades grandes podem se lembrar de ofícios hoje extintos como o do vendedor de enciclopédia, lanterninha do cinema, motorneiro de bonde, o bedel que controlava a presença dos alunos na escola etc.

É possível, ainda, enriquecer a atividade estimulando os estudantes a identificarem ofícios típicos da região – existentes, que já desapareceram ou estão em extinção – e propor uma pesquisa a respeito como por exemplo, o ofício das rendeiras, ceramistas, tecelões, fabricantes de violas, artesanato com areia colorida etc.

Espera-se, dessa forma, aproximar o estudante do trabalho investigativo do historiador, despertar seu interesse pelo estudo da História, evidenciar mudanças e continuidades que fazem parte de nosso cotidiano, valorizar fazeres e saberes do passado e do presente.

Amolador de faca, leiteiro e vendedora de miudezas.

 

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