30 filmes sobre o Brasil de 1955 a 1975

23 de julho de 2015

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Em apenas duas décadas, o Brasil passou por grandes mudanças políticas. Do governo liberal e desenvolvimentista de Juscelino Kubitschek, seguiram-se as tensões do governo João Goulart que culminaram no golpe militar de 1964. A implantação da ditadura, a geração de 1968, a luta armada, as prisões e a tortura em plena euforia do “milagre econômico” inspiraram muitos documentários e filmes baseados em fatos reais. Selecionamos os mais representativos.

Obs.: Os filmes indicados no YouTube podem ter sido retirados por questão de direitos autorais. Neste caso, é necessário refazer a busca na Internet. Filmes mais recentes podem ser encontrados em locadoras, cineclubes e na Netflix.

01 – Os anos JK: uma trajetória política

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“Os anos JK”, Silvio Tendler, 1980.

Documentário com narração de Othon Bastos, traça um panorama do Brasil de 1945 a 1964 tendo como personagem central Juscelino Kubitschek. Fazendo uso de cinejornais, filmes de pequenos produtores, fotografias e material pesquisado em estações de TV, entrevista nomes expressivos da política nacional como Tancredo Neves, marechal Henrique Lott, Magalhães Pinto, Juracy Magalhães, Dante Pellacani e um ex-dirigente da UNE, Marcos Heuzi. Aborda fatos marcantes da história como o suicídio de Getúlio, a construção de Brasília, os governos Jânio Quadros e João Goulart, o golpe de 1964.

Direção: Silvio Tendler. Brasil, 1980. Clique aqui

02 – Jango

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“Jango”, Silvio Tendler, 1984.

Documentário com narração de José Wilker sobre a carreira de João Goulart desde sua eleição a deputado estadual em 1947 até seu sepultamento em 1976, na sua cidade natal de São Borja, RS. Realizado na época da campanha da Diretas-Já, o filme levanta a bandeira da democratização trazendo imagens da época da ditadura como a repressão às passeatas e o período de terror que marcaram o governo Médici. Entrevistas com Afonso Arinos de Melo Franco, Antônio Carlos Muricy, Francisco Julião, Gregório Bezerra, Celso Furtado, Magalhães Pinto, Frei Beto, Jânio Quadros entre outros contemporâneos. Direção: Silvio Tendler. Brasil, 1984. Clique aqui 

 03 – Dossiê Jango

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“Dossiê Jango”, Paulo Henrique Fontenelle, 2013.

Documentário sobre as circunstâncias da morte de João Goulart, em 1976, levantando a suspeita de que o ex-presidente teria sido assassinado bem como Juscelino Kubitschek e Carlos Lacerda, falecidos na mesma época. Reúne documentos e depoimentos incluindo documentos da polícia uruguaia nunca revelados no Brasil. Traz ainda gravações em áudio do embaixador Lincoln Gordon e dos ex-presidentes americanos John F. Kennedy e Lyndon Johnson mostrando a preocupação do governo dos Estados Unidos com o momento político do país e a possibilidade de intervir no Brasil da mesma forma como foi feito no Panamá.

Direção de Paulo Henrique Fontenelle. Brasil, 2013. Clique aqui

 04 – O Homem da Capa Preta

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“O Homem da Capa Preta”, Sérgio Rezende,1986.

A controvertida carreira do político Tenório Cavalcanti (José Wilker) nos anos 1940 a 1960. Tenório teve sua infância marcada pela violência ao presenciar o assassinato do pai. Vingado, foge para o Rio de Janeiro. Adulto, vestia a famosa capa preta que escondia uma metralhadora apelidada de “Lurdinha”. Conquistou poder e fortuna na Baixada Fluminense. Homem do povo, político popular, tinha seu eleitorado entre o povo humilde e miserável que via nele um defensor e justiceiro. Seus comícios arrebatavam o povo e chocavam a classe média e a elite política. Cassado em 1964, manteve sua aura como um dos heróis do populismo.

Direção de Sérgio Rezende. Brasil, 1986. Clique aqui

05 – Os Fuzis

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“Os Fuzis”, Ruy Guerra, 1963.

Nordeste, 1963. Policiais chegam à cidade para evitar que a população miserável e faminta invada e saqueie um depósito de alimentos. O dono do armazém tem grande prejuízo, pois vende fiado e não recebe, situação agravada com a inadimplência do governo que não paga o bônus que deve. Os miseráveis são liderados por um beato místico que prega a adoração de um boi santo que fará chover. Ao final o boi é morto e toda população avança para pegar um pedaço de carne. Locações feitas nas cidades baianas de Milagres, Tartaruga e Nova Itarana.

Direção de Ruy Guerra. Argentina/Brasil, 1963. Clique aqui

06 – A Hora Mágica

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“A Hora Mágica”, Guilherme de Almeida Prado, 1998.

Livre adaptação do conto de Júlio Cortázar, o filme desvenda o universo clássico da Era do Rádio e sua transição para o mundo da televisão. EM 1950, as radionovelas faziam sucesso na Rádio Brasil e seus atores e atrizes tinham enorme fã-clube. Entre eles, estão Tito Balcárcel (Raul Gazolla) e Lyla Van (Maitê Proença). Tito se envolve com Lúcia (Júlia Lemmertz), uma fã apaixonada por sua voz. No jargão cinematográfico, a “hora mágica” é o instante próximo ao por-do-sol, quando a luz ainda não desapareceu e o negativo cinematográfico ainda é capaz de captá-la, tornando possível a filmagem de cenas noturnas.

Direção de Guilherme de Almeida Prado. Brasil, 1998. Clique aqui

07 – Cabra marcado para morrer

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“Cabra marcado para morrer”, Eduardo Coutinho, 1964-1984.

Documentário sobre João Pedro Teixeira, líder da liga camponesa de Sapé, Paraíba, assassinado em 1962. Um filme sobre sua vida começa a ser rodado em 1964, com a reconstituição ficcional da ação política que levou ao assassinato. As filmagens com a participação de camponeses do Engenho Galileia, em Pernambuco, foram interrompidas pelo golpe militar. Dezessete anos depois, em 1981, o diretor Eduardo Coutinho retoma o projeto, volta à região e reencontra a viúva do líder assassinado, Elisabeth Teixeira, até então vivendo na clandestinidade, e outros camponeses que haviam atuado no filme antes dele ser interrompido.

Direção de Eduardo Coutinho. Brasil, 1964-1984. Clique aqui

08 – Manhã cinzenta

Em plena vigência do AI-5, o cineasta-militante Olney São Paulo dirigiu esse filme que conta um golpe de estado num país imaginário da América Latina, onde um casal que participa de uma passeata é preso, torturado e interrogado por um robô. O enredo antecipa o aconteceria com o próprio diretor que acabou preso, torturado morrendo em 1978. A ditadura tirou o filme de circulação, mas uma cópia sobreviveu. Foi a primeira produção brasileira a ganhar o prêmio Obernhausen, na Alemanha Oriental.

Direção de Olney Alberto São Paulo. Brasil, 1969. Clique aqui

09 – Golpe de 64: a procissão está nas ruas

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“Golpe de 64: a procissão está nas ruas”, Guilherme Fontes, 2000.

Documentário com argumento e roteiro de Fernando Moraes, contextualiza os anos 1960 no panorama internacional e nacional utilizando fotos, filmes e áudios da época. Traz também os depoimentos de personalidades que viveram o fato: Leonel Brizola, Miguel Arraes, Armando Falcão, Paulo de Tarso Santos, Celso Furtado, general Antônio Carlos Muricy, Marcos Sá Correa, Almino Afonso, José Serra, João Pinheiro Neto, Gustavo Borges e Valdir Pires.

Direção de Guilherme Fontes, 2000. Clique aqui

10 – Marcha da Família com Deus pela Liberdade

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“Marcha da Família com Deus pela Liberdade”.

Documentário com narração de Renata Amorin e imagens do acervo do CPDoc do Jornal do Brasil sobre a marcha que, em 19 de março de 1964, mobilizou 500 mil pessoas em São Paulo em resposta ao comício organizado em 13 de março por João Goulart (Comício da Central do Brasil). O fato somou-se à insatisfação dos setores de direita e serviu de pretexto para o golpe militar de 31 de março de 1964.

Clique aqui

 11 – O dia que durou 21 anos

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“O dia que durou 21 anos”, Camilo Tavares, 2012.

Documentário sobre a participação do governo dos Estados Unidos no golpe de 1964, desde sua preparação dois anos antes. Apresenta entrevista de Lincoln Gordon, embaixador norte-americano no Brasil na época, e Peter Kornbluh, coordenador dos Arquivos de Segurança Nacional dos Estados Unidos, e gravação do presidente John Kennedy revelando sua preocupação com opção esquerdista de Goulart. Na parte final, várias pessoas que apoiaram o golpe mostram desencanto com os sucessivos “Atos Institucionais” e o historiador Carlos Fico, da UFRJ, afirma que a “Linha Dura” militar assumiu o governo em 1964. Não obstante, os Estados Unidos continuaram a apoiar o novo regime, o que resultou em um sentimento crescente de antiamericanismo.

Direção de Camilo Tavares, 2012. Clique aqui (trailer).

12 – Reis e ratos

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“Reis e ratos”, Mauro Lima, 2011.

Uma comédia policial que conta, por meio de uma narrativa quebrada em flashbacks, uma espécie de fábula suja da Guerra Fria. Em 1963, em uma pequena cidade no Rio de Janeiro, Amélia Castanho (Rafaela Mandelli), uma cantora de boate, é escolhida para a abertura da gincana de primavera. De repente, uma misteriosa bomba é lançada, mas Amélia, salva-se pois não estava no local. Dias depois, Amélia descobre que o locutor Hervé Gianini (Cauã Reymond) foi o responsável por sua salvação. Neste meio tempo, arma-se a conspiração para desestabilizar o regime planejada por Troy Sommerset (Selton Mello), agente da CIA no Brasil possui uma loja de sapatos em Copacabana como atividade de fachada, e o Major Esdras (Otávio Müller), auxiliados pelo vigarista Ronny Rato (Rodrigo Santoro).

Direção de Mauro Lima. Brasil, 2011. Clique aqui (trailer).

 13 – Hércules 56

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“Hércules 56”, Silvio Da-Rin, 2006.

A história do sequestro do embaixador americano no Brasil, Charles Burke Elbrick, em 1969 e sua posterior troca por 15 presos políticos, que são enviados ao México a bordo do avião da FAB, o Hércules 56. Inspirado na obra de Fernando Gabeira, traz o depoimento dos sobreviventes do grupo: Agonalto Pacheco, Flávio Tavares, José Dirceu, José Ibrahim, Maria Augusta Carneiro, Mário Zanconato, Ricardo Vilas Boas, Ricardo Zarattini e Vladimir Palmeira. Em entrevistas individuais, eles falam da situação da época, de sua atuação política, prisão, libertação e exílio. Os já falecidos aparecem em material de arquivo.

Direção de Silvio Da-Rin. Brasil, 2006. Clique aqui

14 – O que é isso companheiro?

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“O que é isso companheiro?”, Bruno Barreto, 1997.

Com a decretação do AI-5, em dezembro de 1968, a ditadura chega ao auge. Amplia-se a censura à imprensa, a perda de mandatos e direitos civis, a prisão de militantes da esquerda e a tortura. Em meados de 1969, um grupo de jovens da classe média carioca opta pela clandestinidade e pela luta armada contra a ditadura integrando o MR-8 e Ação Libertadora Nacional. Tramam o sequestro do embaixador americano Charles Burke Elbrik (Alan Arkin). Para libertá-lo, os sequestradores exigem a leitura de um manifesto em cadeia de televisão e a libertação de 15 companheiros presos. Com um grande elenco composto por Pedro Cardoso, Fernanda Torres, Matheus Nachtergaele, Luis Fernando Guimarães, Cláudia Abreu, Nélson Dantas, Caio Junqueira, Marco Ricca, Selton Mello, Fernanda Montenegro entre outros. O filme foi lançado nos Estados Unidos em 1997 com o título Four Days in September e concorreu ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro.

Direção de Bruno Barreto. Brasil, 1997. Clique aqui

 15 – Pra frente, Brasil

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“Pra frente, Brasil”, Roberto Farias, 1982.

Junho de 1970, primeiro jogo do Brasil na Copa do Mundo e o país em euforia pelo “milagre econômico”. Paralelamente, ocorrem movimentos contra a ditadura: assaltos a bancos, sequestro de embaixadores e luta armada. Jofre Godói da Fonseca (Reginaldo Farias), um pacato cidadão de classe média casado com Marta (Natália do Valle), é confundido com um ativista político, sendo então preso e torturado. Marta e Miguel (Antônio Fagundes), seu irmão, tentam encontrá-lo.  O título do filme é uma referência à canção de mesmo nome, escolhida pelo regime para representar o país no Mundial de 1970.

O filme foi inicialmente censurado pelo regime apesar do país estar à época em plena redemocratização. O presidente da Embrafilme, Celso Amorim, em abril de 1982 foi obrigado a se demitir da presidência por ter aprovado o financiamento do filme. Liberado pela Justiça, o filme estreou sem cortes em 14 de fevereiro de 1983.

Direção de Roberto Farias. Brasil, 1982. Clique aqui

 16 – O ano em que meus pais saíram de férias

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“O ano em que meus pais saíram de férias”, 2006.

Em 1970, durante o rigor da ditadura e da euforia do milagre econômico, Mauro (Michel Joelsas), um garoto mineiro de classe média, de 12 anos, apaixonado por futebol e jogo de botão, se vê separado dos pais que “saem de férias”. Mauro vai morar com o avô (Paulo Autran) que pouco conhece e é obrigado a se adaptar a uma estranha e divertida comunidade no bairro Bom Retiro, em São Paulo, que abriga judeus e italianos, entre outras culturas.

Direção de Cao Hamburguer e Cláudio Galperin. Brasil, 2006. Clique aqui (trailer).

17 – Mariguella – retrato falado do guerrilheiro

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“Mariguella”, Sílvio Tendler, 2001.

Documentário com narração de Othon Bastos sobre Carlos Marighella, parlamentar, líder comunista e autor do “Manual do Guerrilheiro Urbano”, obra traduzida em diversos idiomas. Nascido em Salvador, Bahia, em 1911, Marighella atuou nos principais acontecimentos políticos do Brasil, desde sua adesão ao Partido Comunista em 1932, participação na Intentona de 1935 chegando à luta armada contra a ditadura. Em 1968, rompeu com o PCB e fundou o grupo armado Ação Libertadora Nacional. Participou, com o MR-8, do sequestro do embaixador americano, em 1969. No final desse ano, foi morto a tiros em uma emboscada coordenada pelo delegado Sérgio Paranhos Fleury. O filme destaca, também, as conexões internacionais de Mariguella nas lutas de independência na Ásia, África e América Latina nos anos 1950 e 1960.

A importância de Mariguella na luta contra a ditadura (que o considerou inimigo número 1) pode ser inferida pelas numerosas citações de seu nome como personagem oculto, sempre clandestino, em outros filmes como O que é isso, companheiro? (Bruno Barreto, 1997), Batismo de Sangue (de Helvécio Ratton, 2006) e Lamarca (Sérgio Rezende, 1994),

Direção de Sílvio Tendler. Brasil, 2001. Clique aqui

18 – Carlos Marighella, quem samba fica, quem não samba vai embora

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“Carlos Marighella”, Carlos Pronzato, 2011.

Documentário realizado em homenagem ao centenário de nascimento de Carlos Mariguella. O diretor argentino, radicado em Salvador, é conhecido por sua produção que aborda manifestações populares, sindicais e estudantis. Neste documentário, ele apresenta um outro olhar sobre a luta armada contra a ditadura valorizando-a como ação de resistência que tornou possível o retorno da democracia. A tese do filme é mostrar Marighella como um herói nacional cuja importância para democracia brasileira precisa ser reconhecida

Direção de Carlos Pronzato. Brasil, 2011.

19 – Marighella

Documentário com narração de Lázaro Ramos que, feito em primeira pessoa, como sendo Marighela contando sua trajetória, dá um tom pessoal, intimista e subjetivo à obra. O retrato de Mariguella transita entre o familiar e o histórico, o que pode ser explicado pelo fato da diretora ser sobrinha do protagonista. Traz o depoimento de cerca de 30 pessoas, como o antropólogo Antônio Risério, o filho Carlos Augusto Marighella, o escritor Antônio Candido, ex-companheiros de luta armada e, sobretudo, a viúva de Marighella, Clara Charf.

Direção de Isa Grinspum Ferraz. Brasil, 2011. Clique aqui

20 – Lamarca

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“Lamarca”, Sergio Rezende, 1994.

Baseado na vida do capitão do exército Carlos Lamarca, um dos mais importantes e perseguidos líderes da luta armada no Brasil, morto em 1971, aos 33 anos, pelos órgãos de segurança do regime militar. A história começa em dezembro de 1970, quando Lamarca (Paulo Betti) e seu grupo político rebelde negociam com a ditadura militar a soltura de presos políticos em troca da vida do sequestrado embaixador da Suiça mantido por eles em cativeiro. Alguns nomes de personagens reais foram trocados; assim, o delegado Sérgio Paranhos Fleury se transformou em delegado “Flores” (Ernani Moraes), e Iara Iavelberg, amante de Lamarca, em “Clara” (Carla Camurati).

Direção de Sergio Rezende. Brasil, 1994. Clique aqui

21 – Em busca de Iara

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“Em busca de Iara”, Flávio Frederico, 2013.

Documentário sobre a psicóloga e guerrilheira Iara Iavelberg, companheira de Lamarca e, como ele, integrante da luta armada contra a ditadura militar. Traçando a trajetória de Iara, destaca sua militância estudantil na USP e participação em diversa organizações de esquerda, sua estada no Vale da Ribeira, quando conhece Carlos Lamarca e, por fim, em Salvador onde é vítima de uma cilada dos militares. A nota oficial diz que ela se suicidou com um tiro no peito para não ser presa. Entrevistando vizinhos à época do fato e um perito, o filme procura demonstrar que foi, na verdade, um assassinato. Veja o site do filme aqui. http://embuscadeiara.com.br/filme.html

Direção de Flávio Frederico. Brasil, 2013. Clique aqui

 22 – Cabra cega

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“Cabra cega”, Toni Ventura, 2003.

A história de Tiago (Leonardo Medeiros), Rosa (Débora Duboc) e Pedro (Michel Bercovitch), jovens engajados na luta armada e política contra a ditadura militar e que sonham com uma revolução social no Brasil.  Tiago é o comandante de um “grupo de ação” de uma organização de esquerda que, no momento, está debilitada. Rosa é o contato de Tiago com o mundo.  Ferido por um tiro, em uma emboscada feita pela polícia, Tiago se esconde na casa de Pedro, um arquiteto simpatizante da causa. Com o passar do tempo, Tiago passa a ficar preocupado com sua segurança e de Rosa, colocando dúvidas em Pedro se ele não seria um traidor.

Direção de Toni Ventura. Brasil, 2003. Clique aqui (trailer).

23 – Em teu nome

No início dos anos 1970, a América Latina vivia um período dominado pela ditadura militar contestada pela ação armada de grupos políticos de esquerda. No Brasil, Boni (Leonardo Machado), um estudante de engenharia de origem humilde, adere à luta armada. Contudo, carrega dúvidas e medos sobre se este seria realmente o melhor caminho, pois teme pela família, pela namorada e pelo futuro que parece incerto a cada dia. Acaba preso, torturado e banido do país. No exílio no Chile, ao lado da companheira Cecília (Fernanda Moro), passa a compreender a sociedade de outra maneira. Começa a trabalhar e a conviver com o povo chileno, percebendo que para mudar a realidade é preciso primeiro entende-la. Com a queda de Allende, a vida de Boni muda novamente.

Direção de Paulo Nascimento. Brasil, 2009. Clique aqui

24 – Zuzu Angel

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“Zuzu Angel”, Sérgio Rezende, 2006.

A história de Zuzu Angel (Patrícia Pillar), uma estilista de sucesso que divulgou a moda brasileira por todo mundo.  Em abril de 1971, seu filho Stuart Jones (Daniel de Oliveira), estudante de economia e ativista filiado ao MR-8 foi preso, torturado e assassinado pelos agentes do Centro de Informações da Aeronáutica (CISA). Zuzu não aceita a resposta das autoridades que consideram Stuart como “desaparecido” político. Move uma guerra pela recuperação do corpo do filho envolvendo os Estados Unidos, país de seu ex-marido e pai de Stuart. Em abril de 1976, ela também foi morta em um acidente de carro forjado pelos militares. Atores do filme “Lamarca” participaram das filmagens fazendo os mesmos personagens: Paulo Betti, como Lamarca, aparece num assalto a banco junto com Stuart. Em outra cena, Nelson Dantas, como pai de Lamarca, é procurado por Zuzu.

Direção de Sérgio Rezende. Brasil, 2006. Clique aqui (trailer).

 25 – Vlado. Trinta anos depois

Documentário sobre a trajetória do jornalista Vladimir Herzog morto nas dependências do DOI-CODI (órgão da repressão política do regime militar) em 1975. Revela a história do jornalista desde sua infância na Iugoslávia com sua família de origem judaica fugindo da perseguição nazista, sua militância política até os horrores dos porões da ditadura. Traz depoimentos de amigos e colegas: Mino Carta, João Bosco, Fernando Morais, Aldir Blanc e da viúva Clarice Herzog.

Direção de João Batista de Andrade. Brasil, 2005. Clique aqui

 26 – Batismo de sangue

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“Batismo de sangue”, Helvécio Ratton, 2006.

Baseado na obra homônima de Frei Betto conta a resistência dos frades dominicanos Tito (Caio Blat), Betto (Daniel de Oliveira), Oswaldo (Ângelo Antônio), Fernando (Léo Quintão) e Ivo (Odilon Esteves) contra a ditadura militar e seu envolvimento com o grupo guerrilheiro Ação Libertadora Nacional comandada por Carlos Marighella (Marku Ribas). Sem encostar em armas, os freis organizavam encontros, levavam e traziam recados mas acabam presos e torturados por oficiais que os acusam de traidores da pátria e da igreja.

Direção de Helvécio Ratton. Brasil, 2006. Clique aqui (trailer).

27 – Tatuagem

Nordeste, 1978, em plena ditadura militar, um grupo de artistas conhecido como Chão de Estrelas, dirigido por Clécio Wanderley (Irandhiur Santos) apresenta seus espetáculos com muita irreverência, deboche e anarquia. Clécio conhece Fininha, o soldado Arlindo Araújo (Jesuíta Barbosa), um garoto de 18 anos que vive no quartel. Clécio se apaixona pelo recruta e este fica encantado pelo modo de vida dos artistas. A partir daí, dois mundos se chocam: o militar com sua rigidez e atrocidades com o cabaré com sua alegria e homossexualidade. Com locações em Olinda, Recife e Cabo de Santo Agostinho, o filme ganhou vários prêmios em Gramado e Rio de Janeiro.

Direção de Hilton Lacerda. Brasil, 2013. Clique aqui (trailer).

 28 – O bom burguês

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“O bom burguês”, Oswaldo Caldeira, 1983.

Inspirado livremente em personagem real, Jorge Medeiros do Vale, funcionário do Banco do Brasil preso em 1969 sob acusação de ter desviado cerca de 2 milhões de dólares com os quais, entre outras coisas, financiara grupos de esquerda que lutavam contra a ditadura militar no Brasil. Na época, Jorge Medeiros Vale ficou conhecido na imprensa, nos órgãos de repressão e entre os guerrilheiros como “o bom burguês”. O filme conta a história do bancário Lucas (José Wilker) que desvia dinheiro do banco para financiar dois grupos revolucionários. A mulher de Lucas, Neuza (Betty Faria), a princípio desconhece a atividade secreta do marido, assim como sua irmã, Joana (Christiane Torloni), guerrilheira que o considera um conformista. A situação se complica quando é sequestrado o embaixador suíço.

Direção de Oswaldo Caldeira. Brasil, 1983. Clique aqui

29 – Barra 68. Sem perder a ternura

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“Barra 68. Sem perder a ternura”, Vladimir Carvalho, 2001.

Documentário narrado por Othon Bastos narra a criação da Universidade de Brasília, a luta de Darcy Ribeiro para implantar as inovações que propunha e a perseguição sofrida com o golpe militar de 1964. Culmina com a invasão do compus pelo Exército, em 1968 quando cerca de 500 estudantes foram detidos em uma quadra de esportes. Traz depoimentos de Oscar Niemeyer, Roberto Salmeron, Jean-Claude Bernardet, Darcy Ribeiro, Ana Miranda, Marcos Santilli, Cacá Diegues, José Carlos de Almeida Azevedo entre outros.

Direção Vladimir Carvalho. Brasil, 2001. Clique aqui (trecho).

30 – O Sol: caminhando contra o vento

Documentário sobre a geração-68 contado por meio da história do jornal “O Sol”, um dos primeiros veículos da imprensa alternativa brasileira, produzido diariamente durante seis meses, na década de 1960. O jornal falava de cultura, política e educação por meio de sátiras e por ele passaram figuras de destaque no cenário cultural da época. Cenas de arquivo e músicas da época procuram reconstituir o espírito da geração-68.  O filme conta a participação de personalidades como Ziraldo, Zuenir Ventura, Arnaldo Jabor, Chico Buarque, Caetano Veloso, Carlos Heitor Cony, Fernando Gabeira, Betty Faria, Hugo Carvana entre outros.

Direção de Tetê Moraes e Martha Alencar. Brasil, 2006. Clique aqui

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Diego Assunção Xingu
Diego Assunção Xingu
4 anos atrás

Gostaria de aumentar a lista, com Araguaia – A Conspiração do Silêncio É uma longa-metragem de ficção baseada em pesquisa empreendida pelo realizador e roteirista Ronaldo Duque sobre a Guerrilha do Araguaia, um importante episódio da história brasileira. A presença de comunistas no Araguaia, de 1966 até 1974, levou educação e saúde de graça, a população miserável que habitava a região do Bico do Papagaio, por esse motivo, conviveram em harmônia em meio ao povo do Araguaia. A Ditadura Militar descobre o movimento guerrilheiro em 1972, e durante três campanhas militares brutalmente assassina a maior parte dos membros da guerrilha… Read more »

Joelza Ester
Joelza Ester
2 anos atrás

Obrigada pela contribuição.

Raquel
2 anos atrás

Amei a lista, muitos títulos que nem pensava existir. Parabéns!

Daniel Pandino
Daniel Pandino
2 anos atrás

Olá!

Gostei muito dessa imagem do JK. Vocês sabem dizer a quem pertence? Gostaria de utilizá-la em uma publicação…

Joelza Ester
Joelza Ester
2 anos atrás
Reply to  Daniel Pandino

Não tenho a autoria da foto, mas ela foi feita por ocasião da vitória de JK nas eleições presidenciais para o jornal O Globo, RJ.

Daniel Pandino
Daniel Pandino
3 anos atrás
Reply to  Joelza Ester

Legal, Joelza!

Já me deu um norte para procurá-la. Obrigado!

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